Eu sou uma entusiasta de Brunon Bronislaw Lechowski. Aqui vou contar porque.

Ele nasceu na Polônia, em Varsóvia em 1887. Este grande artista foi pintor, desenhista, professor, arquiteto e músico. Estudou na Academia de Belas Artes de Kiev na Ucrânia e em São Petersburgo na Rússia. Em Varsóvia, tornou-se professor na Academia de Belas Artes entre os anos de 1914 e 1922.

Mas Brunon era uma pessoa grande demais para ficar num lugar só. Então imagine em plena década de 20, para ser mais especifica entre os anos de 1922 e 1923 quando a arte moderna tomava conta do cenário e da história do mundo, ele fez um projeto audacioso. E é por isso que sou sua fã incondicional. Desenvolveu o Projeto da Casa Internacional do Artista. Ideologicamente, esta instituição deveria ter sede no maior número possível de países e permitiria aos artistas de todas as áreas produzir e viver de sua arte.

Poderia ser apenas um sonho se ele não tivesse arregaçado as mangas e colocado os pés na estrada. Mas, como assim?! Você não ouviu falar dele? Um Artista que conseguiu fazer uma coisa destas, sonho de tantos nós que queremos viver de arte? Espera que vou te contar…

Brunon acreditava que na Casa Internacional do Artista, qualquer artista poderia residir, trabalhar e receber uma parte da receita gerada da venda de ingressos das exposições que seriam realizadas. E não de venda de quadros. Munido de força e idealismo, fez uma aposta com seus amigos em 1924. Na verdade, o dinheiro desta aposta patrocinou o primeiro passo deste ideal. Em troca desta soma de dinheiro que recebeu e que destinaria para a construção da primeira sede da Casa Internacional do Artista em Varsóvia, ele aceitou viajar por todos os continentes falando apenas polonês e vivendo sim apenas da venda de ingressos das suas exposições.

Ele desenvolveu um sistema de exposições portáteis, uma espécie de tenda. Com o tempo soubemos que montava as exposições em locais alternativos – até em terrenos baldios.

Eis que em 1925, para sorte nossa, ele chega ao Brasil – no Rio de janeiro. Nossa, ele enlouqueceu com a paisagem natural. Apaixonou-se! Empoleirava-se pelos morros e pintou o Rio ardentemente. Aquarelas, óleos e tudo o que pode. Trabalhou loucamente e entusiasticamente. Chegou a viajar para Curitiba, depois para São Paulo e em todos estes lugares fez as exposições portáteis. Voltou ao Rio em 1931. Tudo isto com família, ele não era sozinho não!

Pesquisando eu soube que Brunon era acima de tudo um grande humanista. Na maior parte das vezes, ele nem vendia seus quadros. Se a pessoa gostava, levava a obra. Para isso, pagava pelo ingresso da exposição. Que sacada! E quando em Curitiba foi obrigado a vender seus quadros para poder pagar suas despesas, ficou chateado. Não era sua ideologia.

Ao voltar para o Rio, viu um grupo de moços que eram pintores de paredes e de cascos de navios. Um deles chamava-se Pancetti e o outro Takaoka. Por algum motivo, acreditou neles e resolveu ensinar pintura de graça a estes moços. Junto com um grupo acadêmico da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, utilizavam o porão da escola durante as noites para este fim e desta forma fundaram o Núcleo Bernardelli(em homenagem aos irmãos Bernaardelli). E foi assim que Brunon Lechowski ensinou diretamente Pancetti e Takaoka a pintar….Outros artistas que fizeram parte do Núcleo Bernardelli: Yuji Tamaki, Milton Dacosta, Manoel Santiago, entre muitos outros. Brunon era uma referência e mentor para os alunos do núcleo Bernardelli, conhecido por ser uma pessoa que vive o que prega.

O que me encanta em Brunon é sua humildade, honestidade e verdade artísticas. Ele ficou atrás das cenas mas formou  ícones da arte moderna brasileira. Mas ele não largou seu ideal ate o fim. Em 1932 ele conseguiu uma sede da Casa Internacional do artista no Rio, mas não foi para frente.  Ele mudou-se para um sítio na Ilha de Paquetá e continuou entusiasmado com planos de distribuir a terra para plantio de plantas medicinais. Só que pessoas como Brunon são muito especiais e costumam ser chamadas cedo para perto de Deus. E assim foi com ele. Foi-se cedo aos 54 anos, em 1941 para o andar de cima.

Imagino que de lá ele deve continuar de alguma forma seu projeto, só que de uma maneira mais holística e ampla. Deve estar inspirando muitos artistas, não mais de forma internacional. Agora, de forma Universal. Sim, deve estar numa falange de anjos da guarda da arte inspirando a nós artistas e de certa forma, mais do que realizando seu projeto.

Obrigada Brunon Lechowski por seu grande legado! Boas Artes!

Patrícia Amato.

A seguir, veja algumas obras dele.

fontes: wikipedia, Livro “Rio Capital da Beleza”, Brunon Lechowski, Livraria Grandes Escritores

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