(Foto de Patrícia Amato)

Este foi o tema proposto por meu Grande amigo Alexandre Gualter quando perguntei aos seguidores do blog sobre o que gostariam de ver por aqui. Várias respostas muito boas vieram (e todas sem exceção serão abordadas aqui), mas resolvi começar por esta por um simples motivo. A arte chegou na minha vida no meio de uma depressão e me curou. E hoje leciono arteterapia em conjunto com uma terapeuta ocupacional no CAPS de Atibaia em Caetetuba, então considero-me apta a falar sobre o tema.

Acho que a arte é mesmo uma maneira de conectarmo-nos com nossa essência. Acho também que todos de alguma forma sabemos exercê-la desde crianças. E à medida que vamos crescendo e começamos a comparar as coisas e a estabelecer padrões do que julgamos “certo” e “errado”, “feio” e “bonito”, é como se decretássemos que alguns são talhados para a arte e outros não.

Aconteceu comigo também. Eu desenhava muito mal. Não tinha coordenação, meus círculos sempre foram ovais, meus traços muito duros e acalcados no papel. Minhas pinturas tinham cores muito misturadas, tudo eu achava bem horrível desde criança. Só que eu gostava de desenhar, meus presentes prediletos eram as canetinhas hidrográficas e umas aquarelinhas bem michurucas, estojos e lápis de cor. Estudava história da arte (renascentista e impressionista) desde os 08 anos de idade.

Mas, não segui as artes. Virei Química Industrial, depois fui para a área de Processos de Negócio. E de repente, aos 31 anos meu primeiro casamento desmoronou. E eu caí numa depressão danada. No meio desta crise e fazendo terapia, passei um dia num supermercado e comprei umas telas e tintas. Pensei que ia fazer umas manchas abstratas. Para minha surpresa saiu um quadro com uma casa, um riacho e uma montanha. Achei bem bonito, de cores tristes. Percebi que à medida que eu pintava, minha tristeza saía de mim e ficava na tela.

Saquei que era uma expressão de sentimentos. E não parei mais.

Hoje sei que arterapia é uma disciplina híbrida baseada principalmente nas áreas das artes e da psicologia. É aplicada de forma muito elaborada normalmente em parceria por psicólogos e artistas ou por profissionais habilitados em cursos de especialização ou mestrado em arteterapia. Na prática, a arteterapia usa  recursos artísticos/visuais ou expressivos como elemento terapêutico. Pode ser aplicada em pessoas com ou sem deficiências intelectuais, emocionais ou mentais. Apenas devemos montar as turmas de acordo com as necessidades específicas.

Van Gogh era portador de doença mental, a esquisofrenia. E sem dúvida que sua arte contribuiu para que se mantivesse equilibrado por mais tempo. Na época dele, os tratamentos não eram como são agora tão modernos e infelizmente todos nós sabemos como terminou a sua história. Porém hoje, graças a Dra. Nise da Silveira, sabemos o quanto  a arte aliada a um bom tratamento médico colabora para que internações em hospitais psiquiátricos sejam evitadas e as pessoas com doenças mentais tenham uma boa inclusão social.

Para os que sofrem de depressão ocasional ou crônica, o primeiro passo claro, é procurar assistência médica e psicológica. Em seguida, qualquer forma de arte aliada ao seu tratamento, certamente ajudará muito. Música, escrita, desenho, pintura, escultura, canto, teatro. O que mais você se identificar. Procure ajuda. O mais importante é expressar-se através de algo. E assim você se sentirá mais leve e tranquilo.

Tenho alguns alunos que pintam. E um deles, além de pintar, escreve lindamente. O fato dele escrever e depois ler para o grupo, começou a influenciar positivamente os demais. Vez em quando alguém sente-se a vontade para escrever também. Outro dia fizemos um sarau e foi divertido, mas principalmente, restaurador.

Como eu disse anteriormente, a arterapia é aplicável também a qualquer pessoa que queira apenas desestressar do seu dia a dia e manter-se bem. É um excelente hobby, terapêutico, calmante e eleva os pensamento s como numa meditação. Quantas vezes eu me percebi meditando enquanto pintava. Por isso, encorajo você a começar desde já!

Quero terminar com duas frases de um poema de Osvaldo Montenegro que resumem tudo o que eu gostaria de dizer.

“Que a Arte me aponte uma resposta, mesmo que eu não saiba. E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.”

Boas Artes! Sejamos Felizes!

 

 

Anúncios