(Todas as fotos de Patrícia Amato – série: Natureza Morta )

Hoje eu estava me programando para falar de outro tema sugerido por um dos seguidores do blog, mas mudei de idéia. Tem momentos em que a gente precisa  usar o nosso trabalho a favor de uma causa . Hoje é um dia desses.

Moro num lugar de mato verde, ou deveria ser. Muito bacana sentir cheiro de mato, ouvir pássaros, ver beija flores e borboletas que aliás, me influenciam e estão sempre presentes em minhas obras. Mas há outro lado que está se espatifando na minha cara de modo cruel, na forma de carvão vegetal produzido por queimadas e por madeiras de desmatamento. E com isso, temos cada vez menos beija-flores, menos borboletas, menos polinazadores…

Estas fotos que estão presentes neste post são da minha série Natureza Morta. Morta mesmo, literalmente. São de queimadas aqui dos quarteirões próximos da minha casa. É cultural por aqui ( e em vários lugares do Brasil) desmatar e depois queimar para construir, para limpar os terrenos. E também depois de carpir o mato. Queima-se também para desmatar grandes áreas para fazer loteamentos, vejo tudo daqui da minha casa. Se chamamos as autoridades?! CLARO!!!! E se adianta?! Às vezes sim, naquele momento.Mas a questão é trabalhar a cultura de um povo. Senão, não resolve.

A causa raiz começa no dono das casas e dos terrenos e em quem cuida delas. Casas como a minha onde quem cuida do terreno pode ter o costume de juntar a grama cortada, folhas e depois queimar. Imagine 300, 500 casas fazendo isso. E se nem o dono e nem o cuidador tiverem o mínimo de consciência ambiental….

Eu comecei aqui em casa esta conscientização e funcionou muito bem. Depois com os vizinhos mais próximos, o que ainda não deu muito resultado. Mas, como Artista, comecei a coletar algumas madeiras queimadas pela manhã para fazer arte com elas. (ainda não fiz completamente). Ao pegar estas madeiras, encontrei uma oportunidade de conversar com as pessoas que colocam fogo nestas coisas e começar a “plantação de uma nova cultura”. Sinto-me literalmente uma andorinha levando água no bico para apagar o incêndio.  São tantos “Moça, mas é assim que se roça”, “Onde vou colocar esse lixo então”, “O patrão não tem onde por e o lixeiro demora para passar”. Todos tem motivos certos e se pararmos para pensar é uma cadeia que precisa ser movimentada. Mas é necessário começard e algum lugar. Acho melhor chamar a prefeitura para uma coleta de sacos e sacos de folhas e gramas do que queimá-las. Melhor ainda seria fazer adubo com tudo isso.

Semana passada meu vizinho de muro fez uma queimada enorme para esvaziar o lixo do seu terreno. Pensei: Será que eu não vou conseguir nunca?! O da frente queimou um Sofá!!!!Lá fui eu de novo…mas fui mais forte porque desta vez o meu amigo Zé que trabalha aqui em casa e que comprou a causa, foi junto. E me ajudou. Que bom!

As madeiras que eu andei recolhendo, receberam tratamento anti-cupim e uma boa camada de verniz naval. Ainda estou pensando qual Arte farei com elas, ainda não sei. Só sei que elas sim, estão fazendo muita coisa comigo.

Tenhamos mais consciência pelo nosso planeta. Pela nossa vida e pelo nosso futuro. Isto é mudança de estilo de vida.

Boas Artes!

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