Não é de hoje que os Artistas retratam a música em suas Obras. Muito mais do que isso, executam-nas ao som que mais gostam, quase sempre.

Kandisnky , em seu livro “Do Espiritual na Arte”, fala muito bem da instersecção destas  e de outras artes e mais do que isso, ele mesmo pintava a música. Suas “composições” eram músicas em forma de tintas. Além de tentar ler seu livro duas vezes (não consigo terminar) pude ver boa parte das obras de Kandisnky ao vivo e asseguro que sente-se uma vibração diferente quando permitimo-nos observá-las com os olhos da alma.

O mesmo ocorre com a série das Ninféais de Monet e quem já as viu de perto sabe o que é entrar no salão do Marmotan e sentir o impacto daquela grandeza. Melhor do que isso, só se Debussy estivesse tocando piano ao fundo (e ao vivo, bem baixinho) para que as flores dançassem sobre a água.

Há uma música do Caetano Veloso dos anos oitenta que  descreve uma  viagem de trem e a paisagem observada pelas janelas dos vagões citando todas as cores que são vistas. TREM DAS CORES marcou tanto a minha vida que hoje minha casa é azul por causa desta música.

Como um artista pode ser tão sensível ao ponto de fazer as pessoas escutarem um som e visualizarem uma viagem de trem “prata”, num dia nublado de um “oliva de nuvem chumbo” , uma companhia de” olhos luz cor de mel ímpar”….e de repente “crianças cor de romã entram no vagão” e elas devem estar vendendo coisas pois ele fala da “seda azul do papel que envolve a maçã”. O ponto alto para mim são “os dois lados da janela”, onde “as casas tão verde e rosa que vão passando ao nos ver passar” dão velocidade à cena. Mas “aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há – azul que é pura memória de algum lugar…” me faz pensar até hoje no nosso povo brasileiro que pinta suas casinhas de beira de ferrovias e depois demora e demora a repintá-las pois a vida não é fácil para ninguém.

Assim como Monet está para Debussy, na minha humilde opinião, TREM DAS CORES combina com a Obra “Estrada de Ferro Central do Brasil” de Tarsila do Amaral.  Casas tão verde e rosa, uma num tom de azul…fazem parte da composição de Tarsila. E um trenzinho quase infantil parece que nos leva ao meio do caminho, onde depois é só dar mais uns passos para orar na igrejinha.

Arte é sempre bom. Mas quando toca na alma, vem de Deus e o artista torna-se um instrumento dela mesma. Aí, nasce uma Obra Prima.

Boas Artes! Sejamos tocados pela Arte! Obrigada Monet, Debussy, Caetano e Tarsila. E todos os artistas.

 

 

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