(foto de Patrícia Amato, da borboleta “Caligo” que morou uns dias em seu Atelier)

Vivemos em ciclos, acredito. Demoramos nove meses para nascer, sete anos na primeira infância, mais cinco na segunda, passamos dos treze aos dezoito na adolescência, dos dezenove aos vinte e um amadurecendo para entrar na fase adulta e o resto dos anos você já sabe. Nós começamos a viver uma fase de enfrentamento da vida, de descobertas. De perdas e de ganhos. De escolhas e renúncias. De mudanças.

Sempre gostei de mudanças, mais do que a maioria das pessoas. Apesar dos desconfortos gerados, elas sempre foram positivas na minha vida. Mesmo as que doeram muito. Por isso que em minha Arte, borboletas costumam estar presentes.

Neste últimos dias, quem me acompanha nas redes sociais deve ter visto fotos como esta que ilustra este artigo. Uma borboleta Caligo apareceu no meu Atelier. Ela estava com uma asa machucada e procurou abrigo justo lá. Alimentei a Caligo todos os dias com frutas e ela me acompanhou como uma boa amiga. Recusou-se a voar pela janela. Voava pelo Atelier mesmo. Pousava na minha roupa, na minha mão, em mim. Não é a primeira vez que borboletas voam em mim, mas achei bem curioso. Comecei a perceber que havia uma mensagem de transformação no ar.

E então um dia desta semana, Caligo resolveu por conta própria sair do Atelier e voar sozinha. Estava mais forte. Percebi quando saí de manhã bem cedinho, e ao voltar antes das 07 da manhã ao abrir o portão de casa. Lá estava ela pousada no meu caminho com o sol batendo em suas asas machucadas. Agradável surpresa. Apesar das asas quebradas, ela estava corajosa e pronta para viver novamente em seu habitat.

Aí então, entendi tudo. Tem momentos que precisamos mesmo de recolhimento e de cuidado. De quem nos cuide. E o fato de Caligo buscar cuidado no meu Atelier me fez pensar de um tempo em que a Arte me salvou da tristeza e me trouxe a Alegria de Viver. Foi no momento mais difícil da minha vida há quinze anos atrás. E assim como Caligo nesta foto, foi no meio das tintas que eu procurei abrigo.

Também precisei de quem me cuidasse. Minha mãe, na época cuidou bem de mim. E logo depois, senti-me pronta. Mesmo com minhas asas quebradas, voltei corajosamente para o meu habitat com o sol batendo nas costas e fui viver minha vida. E um novo ciclo começou, a tristeza nunca mais voltou daquela maneira. Hoje vivo minha Vida através da Arte, com a alegria de quem reaprendeu a voar.

Valeu a mensagem Caligo! Boas Artes!

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