(foto de Patrícia Amato)

Dia desses colhi umas flores do jardim, pois tenho a sorte de morar no mato e cultivar aquelas florzinhas de antigamente. Dálias, Rosas, Camarão vermelho e amarelo.  Coloquei num vaso azul cobalto daqueles de armazém de bairro, também bem antigos que normalmente vem com uma bomboniere combinando. Podem achar o que for, eu acho lindo. Porque ganhei do meu Tio Orlando, que fez sua passagem ano passado.

Então vi este arranjo tão simples e meus olhos brilharam com as cores que se formaram. Peguei a câmera. Fiquei imaginando como seria ver o arranjo de dentro do vaso. Não deu. Mas vi por dentro, como mostra a foto que ilustra este texto.

E bem lá no fundo do vaso, o desenho de uma outra flor apareceu (estampa do vidro) para compor o arranjo, mostrando que o inesperado às vezes vem para harmonizar com a vida.

Não sei se você é do tipo que se planeja, mas certamente tem sua rotina. Nós artistas nem sempre somos metódicos, organizados, somos criativos certamente. Sempre há exceções. Conheço artistas super organizados e metodológicos. Porém, todo ser humano tem algum nível de desconforto com o inesperado, mesmo os mais criativos e soltos. É uma defesa nossa.

Há grandes acertos que vieram de erros. O Post IT, surgiu de uma cola que não colava. O mais importante é que a empresa criadora (3M) tinha uma cultura de não punição aos erros.  PICASSO criava desconstruindo desenhos em suas telas. Artistas o fazem até hoje depois dele. A música “Aquarela” de Toquinho nos convida a pensar nisso o tempo todo…”se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu”.

Estou pintando uma tela grande e estava sofrendo com meus erros de acabamento. Quando comecei a olhar a tela “por dentro” e a desenhar novas formas a partir destes erros, ela ficou muito mais bonita. Viva o inesperado, o pinguinho azul de Toquinho, as tangentes da vida e da Arte!

E falando em música, deixo uma reflexão do tempo das minhas dálias e do meu vaso cor de cobalto para encerrar este artigo:

“oh, brisa fica, pois talvez quem sabe, o Inesperado faça uma surpresa…”

Um brinde à vida! Boas Artes!

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