(Obra “Os Comedores de Batata” de Vincent Van Gogh”)
Van Gogh é uma das minhas maiores e primeiras influências na Arte. Antes mesmo de começar a pintar, eu tinha um livro com sua Obra Completa. E de todas as suas Obras,  Os Comedores de Batatas  sempre me chamou a atenção.
Esta Obra hoje encontra-se em Amsterdam, no Museu Van Gogh e eu nunca pude vê-la pessoalmente.
O que me impressiona nesta obra é a verdade com que Van Gogh pintou o povo do campo. A honestidade de quem planta e colhe e depois de um dia de trabalho, vai para a sua casa humilde e em família, literalmente comem o fruto do seu trabalho.
São pobres, mas há uma abundância nesta mesa que me deixa feliz. E há a família unida. Sinceramente, esta tela sempre me fez redefinir o significado das palavras riqueza e pobreza.
Roupas Simples. Pessoas juntas numa cena acolhedora. Trabalham juntos. Partilham uma refeição abundante. Batatas fumegantes. Imagine a manteiga derretendo nas batatas, com sal. As risadas na mesa. As conversas gostosamente ditas. Depois, eles arrumam a cozinha. Uns até implicam com os outros, afinal são uma família. Brigam, às vezes. No dia seguinte, eles levantam muito cedo.  Provavelmente brigam pelo banheiro, tem fila. A irmã demora no chuveiro que na época devia ser de água fria. Nem tudo é perfeito. Trabalham duro, é verdade. Mas a noite, estarão juntos novamente.
De outro lado. Roupas impecavelmente chiques. O pai viaja bastante a negócios. É um senhor comerciante bem reconhecido do século XVIII (mas poderia ser do XXI tb). A mãe cuida dos três filhos com a ajuda de três amas (ou babás). Frequenta a corte (ou as rodas de amigas), os assuntos nem sempre são edificantes. Falam sobre compras, cabelos e os bonitões ricaços. O pai em viagem encontra-se com os outros homens de negócios, A noite, saem para beber em lugares pouco recomendáveis para homens casados. Encontram consolo nos braços de outras mulheres. E suas mulheres que estão longe, às vezes fazem o mesmo nos braços de outros homens. E os filhos..onde eles ficavam mesmo?! Com as amas. Hoje em dia, com as babás.
Acho que nada mudou tanto.
Agora eu perguntaria, olhando para esta maravilhosa tela de Van Gogh.
O que é riqueza e o que é pobreza?
Boas Artes!

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