(Fotos e Desenhos de Patrícia Amato)

Eu hoje resolvi escrever sobre saudade. Mas não essa saudade do que se foi, simplesmente. É de uma saudade diferente. De algo que não vivi, de um tempo que não sei bem qual é mas que me dá um aperto no coração. Penso nos anos 50 (eu nasci em 70).

Acho que faz parte dos nossos momentos de criação, sentir falta do que nunca viu. Imaginar é uma alavanca poderosa que nos faz buscar possibilidades visuais arrebatadoras.

No ano passado, numa viagem que fiz, passei por uma calçada e vi uns troncos de árvores imensos, cortados e envernizados. Uma espécie de passado, cortado e reembalado.

Fiquei intrigada. Fotografei bastante. Percebi depois que são toras de madeira que virarão bases de mesa. Senti uma tristeza. Não acreditei que fossem de árvores mortas naturalmente, infelizmente. E me bateu a tal saudade do que elas poderiam ter sido vivas.

Criei a partir destas fotos, muitos desenhos, inúmeros. Três deles estão aqui.

Ainda não transformei nenhum destes esboços (que estão num dos meus cadernos de artista) em tela. Mas de alguma forma peguei a sensação triste das árvores possivelmente “matadas” para serem mesas e comecei o processo da mensagem artística que quero passar. São três obras com poética ambiental. Todas elas. Como são as minhas Obras.

Esta decomposição feita pelo homem, um dia acabará, pelo bem ou pelo mal. Mas existe porque nós consumimos. Fingimos acreditar que estas toras são de madeiras que caíram naturalmente, que as tempestades derrubaram.

Pensem amigos. Seriam necessários tantos raios sem queimar as árvores e tantas tempestades, que não teríamos tantos móveis de toras de madeiras como temos hoje em dia, pela fortuna que são vendidos.

Sejamos conscientes. Naifs sempre, só  na Arte.

Boas Artes!

 

 

 

Anúncios