(Foto de Patrícia Amato)

Velhos hábitos nunca ditaram novas ondas. O que move um mercado de compra e venda, seja do que for, é oferta e procura. E muita inteligência. Marketing certeiro e honesto. Quem vende seu produto precisa saber divulgá-lo e nisto, nós Artistas, somos muito ruins.

O primeiro passo para nos tornarmos bons é nos fortalecermos. Para isso, é preciso coragem e audácia. Significa saber dizer não a quem ganha dinheiro através de você em troca de organizar exposições sem garantia nenhuma de venda efetiva. O Artista precisa parar de pagar para trabalhar. Precisa saber o seu lugar. Somente se posiciona quem acredita em si mesmo.

Ok, você quer participar de uma feira importante. E um curador de muito respeito bateu à sua parte. Vale aceitar?! Não sei. Acho que vale mais juntar um bom grupo de artistas e racharem um stand. “Ah, mas quem vai querer rachar comigo, o custo é alto e organizar a feira dá trabalho!” Artista que quer se posicionar, precisa aprender a levantar o bumbum da cadeira e ser seu próprio empreendedor. Planejar-se antes que façam isso por você. Dá trabalho sim e eu durmo no ponto também, às vezes. A única coisa que não dá mais para continuarmos aceitando é o modelo ultrapassado do século XX de pagar para expor.

Nós somos Artistas do século XXI. Sejamos nós mesmos os nossos expositores. Se todos nós fizermos assim, este mercado de arte, vai mudar da água para o vinho. VAI MUDAR! Coragem. Sabe porque hoje em dia paga-se para expor? Porque dá certo, que tristeza. Tem quem pague. Sabe o que acontecerá se as pessoas deixarem de participar de exposições pagas? Adivinhou. Nós venderemos por nós mesmos. Nas redes sociais (como já está ocorrendo). E as exposições, como ficarão, não sei , quem sabe?! Vai mudar, mas é bom!

E eu me revolto a cada vez que sou abordada (assim como vocês) por alguém me oferecendo algo exorbitantemente caro. Há profissionais muito sérios sim e que não cobram fortunas dos artistas. Não vamos generalizar. E eu conheço alguns poucos e sérios curadores que cobram apenas o custo de montagem e coquetel, acredite existem. Eles são artistas também, é claro!! E costumo falar do trabalho deles . Tirando esta exceção, defendo uma mudança.

O que precisamos fazer:

  • Urgente. formar grupos de artistas. Eu já estou em um (por enquanto, em breve outro).
  • No grupo, sempre tem um mais controlado com assuntos de dinheiro. Ele recolhe um x(não precisa ser muito) reais por mês de cada um com conta em banco e presta contas. Este dinheiro paga as vernissages.
  • O grupo precisa de um coordenador e um curador que organize as exposições em locais gratuitos e alternativos. Pode ser o artista mais experiente do grupo. Um % das vendas dos quadros pode ir para o caixinha do grupo e para o curador se quiserem, mas muito baixinho (uns 5 a 10%) como agradecimento pela montagem, se houver venda!.
  • O grupo escolhe seu tema ou temas para expor e define quantas vezes exporá.
  • O grupo deve planejar se participará de feiras internacionais como Louvre, SP Arte, Hebraica ou Jockey (precisa ir atrás dos organizadores e custa caríssimo um stand destas feiras). Para estas  que exigem alto investimento, o grupo pode preparar-se mensalmente com muita antecedência. É o que um curador faz!
  • Ganhem experiência entre um grupo de artistas. Dá para fazer! Muitos artistas fazem!  Conheço um grupo que poupou por dois anos antes de alugar um stand no carrousel du Louvre. E deu muito certo.
  • Com planejamento, tudo pode ser realizado. E em equipe, com força de vontade. Dá trabalho sim. Mas vale a pena.
  • E a boa notícia é que isto também pode ser feito em exposições mais baratas, aqui no Brasil, não somente nas exposições mais caras e badaladas. E com a diferença que você convidará pessoas que devem ser potenciais compradores.
  • Esta é uma lição importante amigos Artistas. Convidemos além de nossos amigos, clientes potenciais para as vernissages. Vernissage é uma grande oportunidade de trabalho de venda. Convide pelo menos 10 clientes potenciais. Procure-os a partir de agora nas redes sociais. Aproxime-se deles.

E vamos com tudo! Boas artes!

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