Fico feliz em trazer para nós,  Artistas com uma marca e que tenham algo a nos ensinar. Orlando é Artista do Parque Lage. Quando vi suas obras disse para ele: “nossa, achei estonteante”. E ele, um Artista que trabalha em seu Atelier aos 66 anos por horas a fio para intrigar e alegrar o espectador. Artista Premiado, destacam-se os seguintes prêmios:

PRÊMIO DE AQUISIÇÃO no Salão Municipal de Artes Plásticas de S. J. de Meriti – RJ,  PRÊMIO METALÚRGICO DE ARTES PLÁSTICAS – Santos – SP,  REFERÊNCIA ESPECIAL DO JÚRI no ARTEBOI-Salão Nacional de Montes Claros – MG, REFERÊNCIA ESPECIAL no Salão Nacional da Aeronáutica – RJ,  PRÊMIO AQUISIÇÃO no Salão da Ferrovia – RFFSA – RJ

Confira sua entrevista.

ANV: Quando começou no mundo das Artes?

ORS: Comecei a desenhar aos 7 anos de idade. Tenho esta data marcada, pois lembro de um desenho que fiz de um tio meu que recebeu elogios e comentários por um longo tempo de toda a família. Desenho a lápis, em caderno, sobre as linhas, mas o incentivo que recebi foi que todos reconheciam o retratado (inclusive eu próprio!) e aquilo gerou em mim uma certa confiança. Aos 11 anos comecei a tocar violão e cheguei a fazer mímica de rock na Rádio Nacional, na Pça Mauá.

Desenhava, em folhas brancas, com lápis, formas de relações espaciais que tenho como um prenúncio do que produzo hoje, aos 66 anos. A pintura mesmo só veio após os 24 anos. Eu estudava teatro na Escola Martins Pena e houve uma exposição coletiva de pinturas. Um pouco antes, em 1970, aos 19 anos, eu pintei uma tela de 80x100cm com um amigo. Usei guache, usamos, foi a minha primeira tela. Dividimos uma linha no meio e cada um pintou o seu lado. Depois de 1974 comecei a interessar-me mais por pintura e em 1976 entrei na SBBA – Sociedade Brasileira de Belas Artes. Em 1977 conheci o Prof João Medeiros, que se interessou em me dar aulas .Em 1978 levei algumas telas e desenhos meus para mostrar ao Prof. Edson Motta, Diretor do MNBA, que me convidou a ser ouvinte nas suas aulas no Fundão e no Museu. Em 1979, ao assistir o Salão Nacional de Artes, deparei-me com duas pinturas de Luiz Áquila, que havia ganho o prêmio de viagem ao país, e quis ter aulas com ele,  quando ele iniciou uma turma no Parque Lages. Considero esse o meu início como artista plástico.

ANV: Quais técnicas você utiliza?

ORS: Acrílica ou óleo sobre lona crua, para telas em grandes formatos, geralmente com 140x200cm,  Aquarela sobre papéis Canson, Vergê, Fabriano e Montval e Nanquim e lápis sobre papéis Alvorada, Canson, Vergê, Fabriano e Montval

ANV: Qual ou Quais mensagens passa com sua arte?

ORS: Não há propriamente “uma mensagem”. Crio e desenvolvo atividades e obras em Artes Visuais como um “check-out” de múltiplas informações que tem sido o cotidiano dos meus interesses, envolvendo desde a História da Arte à própria História do Pensamento Humano, do Desenvolvimento da Percepção Humana, enfim, um “melting pot” das referências e influências do auto proclamado “homo sapiens”.

ANV: Tem uma Obra Preferida?

ORS: Minha obra preferida é a que está por fazer. A obra pronta é mais uma etapa cumprida e, mesmo que eu prefira uns resultados a mais do que outros (nas obras), não há uma preferência por esta ou aquela, a não ser pela próxima, na qual terei empenho para desenvolvê-la de modo que eu próprio adquira dados renovados a partir dos valores e padrões estéticos com os quais tenho trabalhado.

ANV: Quais suas principais inspirações, referências,  e influências? .

ORS: Odilon Redon, Gustav Klimt, Mark Rothko, Wassily Kandinsky, Georges Seurat, estes os principais, não como influência direta, mas suas contribuições para a História da Arte muito me tocam, principalmente pelo estabelecimento de padrões e conceitos estéticos que redefiniram o fazer artístico, cada qual a seu tempo. Aprendi bastante, também, com Vicente de Pércia, o primeiro crítico de arte que fez uma leitura estimulante do meu trabalho, no início da minha caminhada. Com Luiz Áquila da Rocha Miranda, Na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o meu olhar foi aprimorado, principalmente para a percepção da pintura, em seu principal aspecto de expressão da liberdade individual.

ANV: O que é arte para você?

ORS: Para mim, o significado da Arte está no fazer, no criar e desenvolver obras e desenvolver-se a partir delas, como expressão da vida sensível pessoal. E tenho a clara noção de que o conceito “Arte” pode significar coisas bem diferentes para interlocutores diversos. Para mim, é no fazer que está a Arte. A obra pronta expressa a soma dos momentos em que foi gestada, e desses momentos apenas o artista absorveu os nutrientes que irão alimentar o seu fazer em cada nova obra.

ANV: Próximos trabalhos em vista?

ORS: 2017 afigura-se, ´para mim, como um ano de produção de telas em grandes formatos, em lona crua, com tinta acrílica ou com óleo, em tamanhos a partir de 140x200cm.

Para adquirir os trabalhos de Orlando Rafael dos Santos, aqui estão os seus contatos:

https://br.pinterest.com/ors65/  – https://plus.google.com/+OrlandoRafaeldosSantos – https://www.artebooking.com/en/orlando.rafaeldossantos   https://www.artmajeur.com/en/member/orlandorafaelsantos  http://artsynature.com/artists/mixed-medium-paintings-by-orlando-rafael-dos-santos/   orlandorafaeldossantos.tumblr.com/  https://www.facebook.com/orlando.rafaeldossantos  https://www.youtube.com/watch?v=gMlAKLUpbio

Para finalizar, deixamos um texto Crítico de Vicente Pérsia sobre o Trabalho de Orlando.

Boas Artes!

Texto do Crítico Vicente de Pércia:

Entrelace

A fase atual de Orlando Rafael dos Santos provém de alguns seguimentos das suas tarefas artísticas anteriores. Não há como descartar influências, escolhas técnicas e de suportes para a elaboração da sua atual produção.  A partir de 2012 se volta para aquarela e com ela insere além das queimadas o traço. Uma fase de extrema disciplina que resulta numa vasta produção. Há desde o início o entrelace entre a pintura e o desenho. Em 2014 junta à sua criação novos meios materiais e instrumentais como: a caneta, a ponta do lápis, a elaboração de um grafite, matérias primas da natureza onde o relevo, por intermédio deles, surge compartilhado, tanto por meio da coloratura quanto de recortes na imagem.

Articulando suas emoções estéticas, o artista passa a utilizar, também de grandes formas tendo como suporte a tela sobre tinta acrílica e por vezes a óleo. O resultado gera muitas obras que intensificam imagens preconcebidas ou já transformadas em arquétipos seus. O conjunto mostra a mescla entre a figuração e uma geometrização particular. Essa determinação de Orlando Rafael não é aleatória. São formas novas com um ordenamento distinto que permite o espectador vislumbrar claramente um planejamento arquitetônico.

Entre o gesto expressivo e o manejo das cores Rafael situa seus espaços. São escolhas que servem de base para manter um sistema amplo de criação. Numa imagística capaz de captar mensagens por ele criadas ou adoções já existentes no seu cotidiano e repertório o artista aponta o seu amadurecimento.

É prazerosa essa fase do artista e a sua construção geométrica comunga com a pintura, a linha reta, a curva sempre redimensionando a obra – mais amena ou intensa, imprime um ritmo próprio. Estamos diante de um artista que conhece a dimensão da arte e sua natureza. Os resultados são rupturas por meio de uma incursão de vivências e o surgimento de obras de grande valia no Circuito da Arte. Vicente de Percia

Maio 2016

Membro da Associação Brasileira e Internacional de Críticos de Arte e da Bow Art International

 

 

 

 

 

 

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