“Pega rapaz,  Meu cabelo à la garçonne, Prova o gosto desse ton-sur-ton, Do meu baton na tua boca”

Fiquei com essa música da Rita Lee na minha mente desde ontem. Meu cabelo está numa releitura à la Garçonne, talvez seja por isso. Mas acho que é mesmo porque os anos 20 foram de uma loucura apaixonante no mundo inteiro. E claro, nas Artes não poderia ser diferente.

A Semana de Arte Moderna de 1922, oh Céus…como eu gostaria de ter vivido naquele tempo. Conhecer Yolanda  e Ciccilo Matarazzo, Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Anita Malfatti. Presenciar Vila Lobos tocar descalço no Municipal de SP ao som das vaias contratadas de Oswald. Certamente eu estaria vaiando e me deliciando, talvez ficasse descalça também.

Foi também nos anos 20 que Patrícia Galvão, a Pagu, roubou o coração de Oswald de Andrade e de milhares de pessoas com seu jeito altivo e forte. Foi a primeira mulher ativista politicamente. E foi presa, torturada. E novamente Rita Lee surge em minha mente: ” Sou Pagu indignada num palanque”.

Picasso tinha seu atelier em Paris e ministrava algumas aulas. Aliás, muitos Mestres famosos o faziam. Também nesta época, o padrão de beleza era mais real. A Miss Estados Unidos para ser considerada uma beldade poderia ter medidas bem mais reais que os cabides humanos de hoje em dia. O mesmo valia para as modelos.

Os nudes. Ah que lindos. Mais sensuais do que eróticos. As roupas, tinham um quê de cidade pequena, todas elas. Mas era tão lindo aquelas mulheres arrumadas e aqueles homens bem produzidos.

As dançarinas estavam a toda no Bataclan de Paris. E nos demais teatros de dança. As roupas de banho começavam a ser produzidas com mais preocupação pelos estilistas. O mundo tornava-se moderno.

Acho mesmo que os anos de 1920 foram de Vanguarda. E sinto uma saudade do que não vi, nem vivi. Não havia a arte contemporânea, mas havia um clima de pós guerra, muito contemporâneo. E hoje, acho que precisamos de movimento e de uma boa agitada. Está tudo tão chato. Sem novidades.

Hoje a tecnologia está a nosso favor e felizmente não precisamos de uma guerra para termos um novo movimento artístico. A Arte Digital provoca incômodos e uaus. Penso que se nos dedicarmos mais, algo bem bom poderá surgir.E bem louco, como na semana de 22. Será?! Tomara!!!

Boas Artes!

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