Conheço a Arte de Paulo Tajes Lindner há alguns anos. Então, foi muito natural que eu o convidasse para uma entrevista. Ele tem uma causa e foi por ela que escolheu a Arte. Juntamente com sua mulher, a Artista plástica Ana Beatris Raposo, tem um lindo projeto ambiental artístico. Sua arte é autêntica. Tem uma brasilidade e alegria únicas.  Além disso, Paulo e eu temos uma mensagem em comum em nossa arte, que tem a ver com o meio ambiente.

Paulo Tajes Lindner expôs em vários locais do Brasil e do mundo. Destacam-se as exposições da Rio+20,  no Grand Palais, em Paris, na Galleria do Vaticano, em Roma (Galleria la Pigna 2013), exposições individuais em Berlim, Frankfurt, Roma, Porto Alegre ( Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul), Florianópolis (Fundação Franklin Cascaes), Curitiba (Jardim Botânico de Curitiba) e São Paulo (Parque do Ibirapuera/Viva a Mata 2010).

Confiram a entrevista de Paulo.

ANV: Quando começou a pintar? Como foi?

PTL: Se eu tivesse seguido o sonho do meu pai, abrindo mão dos meus, muito provavelmente, eu poderia ter me tornado um empresário, talvez até bem sucedido, porém, infeliz. Vivendo em um caldeirão de conflitos, antes das artes visuais, virei um ativista ambiental em defesa da Floresta Atlântica. Desde pequeno, fui direcionado para ser o seu sucessor,na indústria madeireira, onde eram produzidos revestimentos para assoalhos, tetos e paredes. Das experiências vividas nas florestas da região de Joinville, na serra Dona Francisca onde ele extraia madeira, veio todo o meu amor pelas florestas.. O meu pai é um inventor nato e, pioneiro no País na preservação de florestas. Passei parte da década de 1980 e a década de 1990 caçando ladrões de palmitos e caçadores que infestavam as florestas da região.

No ano de 2003, comecei a fazer desenhos com lápis de cor, objetivando o lançamento de uma grife de camisetas, cujo “apelo” seriam questões ligadas a importância das nossas florestas.  No final deste ano, reencontrei uma amiga em Florianópolis, a artista visual Glaucia Zanichelli que, ao ver os meus desenhos disse que eu deveria começar a pintar. Retornei à Joinville e, no outro dia  comprei pinceis, tintas acrílicas e as telas e, decidi que passaria a viver da minha arte.

Literalmente falando, da noite para o dia, fechei a minha empresa e, tive que resolver o primeiro problema. Como um desconhecido, sem formação alguma na área, conseguiria “viver da sua arte”? Que arte”? Enfim, com a cara e a coragem, passei a vender os meus trabalhos. Isso tudo foi muito louco, uma vez que, da estabilidade financeira passei a depender exclusivamente da minha nova fonte de renda e, por maiores que sejam as dificuldades, completei 10 anos recentemente.

ANV: E quando foi que você achou um estilo próprio?

PTL: Eu me “reencontrei com a vida”  a partir do dia em que passei a viver exclusivamente do projeto Cacos da Mata, no ano de 2006, sendo que este processo iniciou com os desenhos a lápis, em 2003.

Acredito que a linguagem por mim desenvolvida “verteu” da necessidade em chamar a atenção sobre a tragédia que estamos vivendo, através da destruição sistemática e, ininterrupta da Floresta Atlântica, bem como, de todos os demais biomas brasileiros, com graves consequências para a nossa qualidade de vida e, comprometendo o futuro das gerações vindouras, não só do Brasil, mas sim, a nível planetário, tendo em vista que as nossas florestas tem uma importância fundamental para o equilíbrio climático do Planeta Terra.

ANV: O que é arte para você?

 PTL: A arte para mim é uma forma de expressão e, um poderoso instrumento para a difusão da cultura, de ideias e, conhecimento. Uma forma de aproximar as pessoas e, de mudança de paradigmas.

ANV: Sua Arte provoca mudanças. Conte um pouco como tem feito isto.

PTL: Da minha inquietação em desenvolver alguma ação mais efetiva pelas nossas florestas e, com a parceria com a minha mulher, a arte educadora e artista visual Ana Beatrís Raposo (fusing glass), idealizamos o projeto Cacos da Mata.

Este nome surgiu da união dos cacos de vidro da Ana e, da fragmentação da Floresta Atlântica ao longo destes 517 anos de ocupação desordenada.

Cacos da Mata é um projeto de arte e educação ambiental, cujo conceito é a reciclagem de materiais. Passei a utilizar como suporte para as pinturas acrílicas, as lonas usadas de caminhão. As peças vítreas eram “costuradas” nas lonas..

Estreamos no ano de 2006, com duas exposições simultâneas, sendo uma delas, na cidade de Joinville e a outra, em Florianópolis. No ano de 2007, realizamos a nossa primeira exposição internacional, em Frankfurt, Alemanha, através de uma parceria com o Consulado Brasileiro. A vernissage foi muito concorrida e, recebemos 19 representantes de outros Países.Esta nossa parceria  seguiu até o ano de  2010, quando a Ana voltou a lecionar artes e teatro. A partir daí, o projeto Cacos da mata seguiu, porém, sem as peças vítreas, somente com pinturas acrílicas sobre lonas de caminhão.

Atualmente, estamos desenvolvendo dois projetos voltados a arte e a educação ambiental.

 ANV: Quais técnicas vc utiliza? Procure aqui passar pelo menos 1 ou 2 para que as pessoas possam aprender com vc.

PTL: De 2006 a 2010, Cacos da Mata foi a união de duas técnicas artísticas: a pintura acrílica sobre lonas usadas de caminhão e, a fusão de vidros reciclados (fusing glass). A Ana “catava” retalhos de vidros planos e garrafas (muitas delas pegas na praia de Barra do Sul, próxima a Joinville) e ou, na beira de estradas e, após devidamente recortados e, as garrafas moídas e, utilizando pinças, ela iniciava os trabalhos na base de vidro plano, formando o desenho, caquinho por caquinho de vidro. Em seguida, ela colocava a peça de cima, formando um sanduíche, que era levado para o forno especial, atingindo a temperatura de 840 graus. Após as peças vítreas terem esfriado, ela procedia com a furação, com brocas diamantadas.

Da minha parte, eu seguia lavando as lonas, retalhando, riscando e pintando. Ao final, eu recortava os espaços em que seriam “costuradas” as peças vítreas e, fazia a furação e colocação dos ilhoses de alumínio. Entre 2006 a 2010, eu fui desenvolvendo a linguagem utilizada neste projeto.

ANV: Quais serão seus próximos trabalhos?

PTL: Exposição na Europa, no segundo semestre e, o lançamento de dois novos projetos, aqui no Brasil.

ANV: Para finalizar, o que você diria sobre as florestas neste momento?

PTL: A alma do projeto Cacos da Mata, de autoria da Ana Beatrís, é a Oração da Mata e traduz todo o nosso sentimento com relação a Floresta Atlântica.

                       Oração da Mata

                               SANTA MATA AMEAÇADA

                        NEM RECICLADA OU DESBOTADA

                                TE DESEJO ENCONTRAR

                            APENAS PEÇO COM FERVOR

                        QUE AGUENTE FIRME A PARADA

                         E CADA VEZ MENOS “APARADA”

                     EU POSSA CONTIGO AINDA CONTAR

                       A SEDE QUE ME VENS MATANDO

                        A FOME QUE ME VENS SACIANDO

              CONFUNDEM-SE AGORA COM O VELHO PODER            

            QUE TEM TE MATADO AOS POUCOS DE SEDE E FOME  

          CONFUNDINDO VALORES COMO SE A EXISTÊNCIA

                SE CONTENTASSE COM O QUE SE CHAMA POBREZA

                       ESQUECE-SE QUE TUA VERDADEIRA REALEZA

               SÓ SE FAZ ATRAVÉS DE TUA TÃO FARTA ABUNDÂNCIA

                    PODERIA TE CANTAR EM MIL E UM VERSOS,

                  ACENDER-TE VELAS E CLAMAR POR TI ATRAVÉS DE

                                           SANTOS E MANTRAS…

                         GRITAR, ESPERNEAR, CHORAR, PROTESTAR…

             ENCHER UMAS FOLHAS DE UM LIVRO, DISTRIBUIR PANFLETOS,

                         FINGIR QUE NADA DISTO ACONTECE E QUE

                                  É TUDO COISA DA MINHA CABEÇA

                                   TAMBÉM FAZER GREVE,

                            APAGAR TODAS AS LINHAS DO MAPA MUNDI,

                                       E INCÊNDIOS ASSASSINOS

 ASSASSINAR A IDÉIA DE PODER E DE ESTAR SE SENTINDO IMPOTENTE   

       DIANTE DE TANTAS PERDAS E DE TANTAS DISTANTES SOLUÇÕES

MAS DIANTE DE TUDO NÃO POSSO ROGAR POR TAMANHA MUDANÇA,

 QUASE DESCOMUNAL, COMPLEXAMENTE ESTRUTURAL,      

                  INCONVENIENTEMENTE PARADOXAL

                 APENAS PEÇO AOS ETERNOS VIGILANTES

          QUE TE AGRACEM, TE ABENÇOEM E PREZEM,     

               POIS SÓASSIM PODEREI SIMPLESMENTE LEMBRAR

           QUE HOMEM SOU E MUITO TENHO A PRESERVAR

                                ( Ana Beatrís Raposo)

 

Os contatos profissionais de Paulo são os seguintes:  ptlindner@hotmail.com,  Instagran: Paulo Lindner, Facebook/fanpage: Paulo Tajes Lindner, Telefone para contato: (47) 98453-5259

Grande Honra ter um Artista que faz tanta diferença no mundo, neste blog!

Boas Artes!

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