Antes de mais nada, preciso dizer que existem excelentes profissionais que promovem eventos artísticos. Curadores, Produtores Culturais sérios e que realmente trabalham para que o artista seja reconhecido. Eles tem cuidado ao divulgar o trabalho, o nome do artista, ao fazer uma boa leitura das Obras na montagem de um Vernissage. Cuidam também da visibilidade do trabalho dos Artistas, ou seja, preocupam-se que colecionadores estejam presentes às mostras em algum momento. Preocupam-se também com os locais de exposição. Para eles, Arte é coisa séria e os Artistas, profissionais que dão duro no seu trabalho e que não podem pagar caro para expor. Conheço pelo menos três assim. E eles são Artistas também. Exporia com eles de olhos fechados. Amanhã. Hoje.

Agora, vou dizer o que precisamos avaliar. Infelizmente, nem todos são tão sérios como os profissionais que eu descrevi acima. Eu mesma, me arrependo e muito de ter gasto uma soma considerável em meu primeiro ano como artista profissional. Primeiro, porque não era boa artista. E não estava preparada. Segundo, porque nunca vendia e era iludida e compelida a expor mais e mais para vender. Então, por experiência própria e por ter tomado uma boa dose do fel da vaidade àquela época,  que acomete qualquer novato, sinto-me com autoridade para alertar os sinais do perigo.

Lista 01 – Da Vaidade do Artista

  •  Todo artista precisa saber se é bom, apesar de gostar do próprio trabalho. Achar que é bom, não é suficiente e pode te estacionar. Procure um Mestre. Alguém sincero, de confiança e que não tenha medo de dizer as suas falhas. Um Mestre das artes, vai enxergá-las.
  • Prepare-se para crescer com as críticas de seu Mestre. Você o escolheu. E ele vai dizer verdades para você, então ouça e engula o seu orgulho. Acima de tudo, trabalhe para melhorar. Faça aulas com ele, se puder e ele te ministrar. Se não der, peça dicas, faça exercícios semanais e traga de volta para que ele avalie. Não espere melhoras rápidas, mas contínuas. É assim mesmo.
  • Não queira ser melhor ou saber mais do que ninguém. Não é por isso que somos artistas. Se você vende, não é por isso que é bom artista ou que não precisa de um Mestre. E se não vende, idem. Sempre tem alguém que sabe mais do que nós. O meu Mestre tem 74 anos, pinta há 45 e diz que precisa aprender muitas coisas. Toda a semana ele aprende coisas novas. Ele pesquisa sem parar. É um sábio. E eu pego carona com ele. Eu pinto há 18 anos e sou uma adolescente perto dele.
  • Humildade. A maior arma contra o orgulho e a vaidade. Você vai querer brigar com seu Mestre. Briguei muitas vezes e chorei com o Sergio Grecu. Mas ele é meu melhor amigo. E semana que vem, vem passar uns dias aqui em casa. Pense nisso.

Lista 02 – Cuidado com os Falsos Curadores

  • Falsos em todos os sentidos. Porque não honram a profissão e denigrem os verdadeiros colegas que a praticam com maestria. E falsos, porque não te dizem a verdade. Você é novato, pinta mais ou menos e eles sabem disso. Mas sabem também, que você está louquinho para se tornar um profissional. E dizem o que você quer ouvir. “Nossa, quanto talento”. “Você vai longe, sei bem que digo”. Vamos expor para mostrar o seu trabalho e verás onde você vai chegar”. E você, vai. E paga. Uma atrás da outra.
  • Um Falso Curador normalmente promete trazer colecionadores para os vernissages. Eles nunca aparecem.
  • Um Falso Curador geralmente te diz que a próxima exposição, essa sim vai bombar. Te dá o nome de alguns mega artistas que aderiram. (boa parte deles não paga, mas sim os que ainda não tem nome estabelecido). Aí, o artista novato pode se deixar seduzir, mais uma vez.
  • Um Falso Curador normalmente mente com relação à visibilidade do local de exposição. Ele diz que é maravilhoso, super visitado, pessoas distintas costumam ir e muito ao local. Quando na verdade, trata-se de um ponto micado, podendo até ser central, mas que ou você tem que pegar um elevador, ou ninguém entra com tanta frequência assim.
  • Normalmente procuram Artistas não necessariamente pela qualidade do trabalho. Nem pesquisam. Procuram indicações. Números. Precisam vender e só. Não tem aquele cuidado profissional dos relacionamentos.
  • Eles na verdade, só pensam neles. E no seu dinheiro. 

Lista 03 – Os Verdadeiros Curadores

  • Ah, eles existem. E como são bons, competentes e distintos. Arte para eles, é coisa séria. Preocupam-se com o artista, pois são ou foram artistas de verdade. A maioria ainda é e às vezes, até expõem. Se é certo expor junto?! Porque não?! Para mim, só dá crédito ao curador. Porque ele não exporia se não acreditasse no próprio ponto que escolheu?! Ponto para ele!
  • Eles cobram justamente. Porque vivem de arte. Cobram pelo trabalho de montar, de tomar cuidado das obras, de fazer um coquetel simples quando é possível. E sim, cobram pelo % de venda, normalmente uma pequena comissão.
  • Tomam cuidado imenso com suas Obras. Tratam com carinho, pois são artistas e dão valor.
  • Tem cuidado na montagem. Tem orgulho do próprio trabalho e ficam felizes pela felicidade dos colegas.
  • Percebem um artista em dificuldade e sempre chamam este amigo para expor para dar aquela força, sem humilhá-lo.
  • São pessoas que todo mundo gosta.
  • Eles escolhem locais que interessam ao público e aos Artistas, pois pensam com a cabeça de Artista. O local não precisa ser badalado e sim P-E-N-S-A-D-O. Imagine um lugar onde quem trabalha são os próprios potenciais consumidores?! BINGO!
  • Alguns lançam livros, lecionam arte, esculpem, pintam, mas arte é a vida deles. 

Portanto, concluo que assim como em qualquer profissão, no nosso mundo Artístico, precisamos separar o Joio do Trigo.

Eu felizmente tenho aprendido. Dei cabeçadas nesses anos, gastei dinheiro à toa, fui vaidosa. Mas felizmente, agora posso dividir minha experiência e quem sabe ajudar a alguém a não cometer os mesmo erros.

Um beijo, querido Artista.

E Boas Artes!

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