(Foto de Patrícia Amato)

Arte é uma coisa que vem de dentro da gente. Acredito que deve ser feita com a Alma e com a intenção de passar uma verdade boa. Uma mensagem importante e principalmente, algo de positivo para o mundo.

Quando digo positivo, entenda como você quiser e puder. Tem que fazer sentido para o Artista em primeiro lugar. Positivo pode ser algo belo, pode ser uma mensagem que faça relaxar,  algo que faça pensar, algo que incomode e que provoque uma mudança de comportamento para melhor, algo que faça refletir e que gere discussões em prol de uma causa. Pode ser também algo decorativo, algo que faça alguém sonhar e lembrar da família, da casa, da história de sua vida, de um lugar.

Puxa, pode ser tanta coisa, não é mesmo?! Partindo do pressuposto de que Arte é um conceito Infinito e de que o Artista é um ser Livre, concluo que Arte é Arte, sem definição. Portanto, difícil de ser julgada. Como dizer que uma Arte estaria classificada em detrimento de outra? Claro, temos as técnicas, temos critérios mínimos. Mas somos humanos. Tão cheios de defeitos e vaidades. E mais, de auto-enganos. Caetano foi muito sábio em dizer que “Narciso acha feio o que não é espelho”.

Eu estava me organizando para criar o Salão de Artes Artenavida. Estava. Depois da lucidez da matéria de ontem, ” Os Recusados nos Salões” para ler, clique aqui , eu estou reavaliando se e como  farei isto. Por este motivo estou aqui fritando os miolos para responder a mim mesma, “Como Seria o Salão de Artes Ideal?”

Já perguntei a um grupo de artistas amigos lá no grupo do Recusados no Salão, citado no artigo de ontem e pensaremos juntos.  E estou com umas idéias, claro. Não tenho respostas ainda. Só sei que algo precisa mudar. (aceito sugestões).

A começar pelos Artistas que não são “selecionados”. Vocês viram as obras do grupo dos “Recusados no Salão” ? (para vê-las, clique aqui) E como o júri deve se sentir ao ter que tomar a decisão de escolher? Como você se sentiria? Como atribuir tamanha responsabilidade a somente três pessoas, talvez cinco, que certamente se empenham ao máximo e fazem o seu melhor? Ok, nem todos são iguais, mas acreditemos que a esmagadora maioria trabalha muito seriamente sim como curadores e juri de salão. Eu acredito que sim, de verdade. E os apoio, são Artistas que na maioria das vezes não ganham nadinha por este trabalho. E se ganham, é algo mínimo. Fazem por reconhecimento pessoal e merecem o nosso respeito.

Ao mesmo tempo, se todos os artistas fossem aprovados, o evento deixaria de ser um salão para tornar-se exposição, certo?! Então, como proceder? E de maneira justa?

Também não sei ainda, mas que acharemos juntos alguma maneira diferente, acharemos. Não sei como. Sei que não conseguirei responder a esta questão isto sozinha, muito menos acredito que simplesmente deixa-se de lado um modelo que sempre deu certo e implanta-se algo novo como com arrogância: “Agora Sim, dará certo!” Não. Não é assim que se muda um Status Quo. É uma coisa construída, respeitosamente. Agradecendo e convidando a participar todos aqueles que tem experiência no modelo atual. Afinal, somos parte dele e eu incentivo a todos a participarem de Salões de Arte, e a continuarem, pois hoje é o que temos de melhor e mais justo. Participo de todos os que posso e continuarei. A-D-O-R-O.

Mas acredito sim numa mudança. Para que todos nós, Artistas, Júri, Curadores de Salões de Arte, possamos ter a tranquilidade de que esgotamos todas as possibilidades de forma clara. Pelo menos num próximo passo. Principalmente aquelas que ainda não foram pensadas, as não óbvias.

Afinal, é o não óbvio que nós Artistas sempre buscamos, não é?!

Boas Artes!

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