Foto e Obra de Patrícia Amato: Um estranho no Ninho

Hoje, tomei coragem de compartilhar uma verdade minha. Estou numa fase de indefinição artística. Não sei se já aconteceu com vocês. Comigo aconteceu antes, quando eu pintei por anos telas a óleo que mostravam jardins super coloridos e de repente percebi que não era mais isso. Foram 11 anos de paixão com o impressionismo-expressionismo para começar uma sessão de tortura que já dura 07 anos.

De lá para cá, passei por fases que foram para o mais abstrato dos mundos, pulando para aquarelas, temas surrealistas e agora estou começando a me encontrar (será?) em abstracionismos conceituais. Foi quando eu percebi que tinha uma mensagem para passar com minha arte. Mesmo assim, olho para minhas telas e nunca fico satisfeita.  Me pergunto: será que é isso?! E não sei responder.

Até que encontrei um material sobre Sanson Flexor e me identifiquei muito. Veja isto:

“Em 1948, quando tinha 41 anos, o pintor romeno Samson Flexor tomou uma decisão um tanto estranha. Ele abandonou seu ateliê parisiense no bairro do Quartier Latin, disse adeus aos amigos mais experientes que o aconselhavam com a palheta – Henri Matisse, Fernand Léger e André Lhote – e, acompanhado da mulher e de dois filhos, se mudou com armas e bagagens para São Paulo.

Inicialmente sua pintura causava espanto aos olhos dos espectadores ainda atordoados diante da arte de vanguarda. Como quase todos os bons artistas, no entanto, ele começou no figurativismo e combinou essas duas tendências durante a maior parte de sua carreira. Para os retratos, muitas vezes lançava mão do cubismo. Na última fase de sua obra, as formas começam a se diluir, a pintura se torna fluida e transparente, como as aquarelas, e as figuras voltam a ser sugeridas, como no teste de Rorschach aplicado pelos psicólogos.

. ….. De fato, ao desembarcar no Brasil, ele foi o introdutor no país do abstracionismo geométrico (“Todo artista deve passar pelo serviço militar da geometria para conquistar o direito a um trabalho mais livre”, costumava aconselhar).” Fonte: http://www.oexplorador.com.br

Depois de ler sobre Flexor, me tranquilizei. Por vários motivos. A escola de abstracionismo dele é a mesma que venho seguindo, com algumas atualizações dos nossos tempos, claro. Mas o principal motivo foi saber que um gênio como ele também se sacudiu, passou por muitas fases (pelo menos umas cinco), demorou a se achar (se é que se achou um dia), percorreu vários estudos e nunca parou.

Eu tenho sentido esta inquietação que às vezes tira meu sono. Confesso que não me acho, não me encontro e não fico feliz com isso. Não é uma boa sensação. Gostaria de me sentir mais feliz com meu trabalho e menos inquieta, mas a busca por algo melhor me obriga a não parar de trabalhar. Não consigo traduzir em palavras, mas o que posso dizer é que eu percorro caminhos desencontrados. Como num labirinto. E dá uma aflição danada não me achar. Requer coragem e perseverança. Aprendizado constante.

Quando eu lia ou ouvia algum Artista dizer isso, juro que eu achava tratar-se de auto promoção, delírio, mentira.  Até eu começar a vivenciar a mesma coisa. Não dá para explicar. Fiquei onze anos numa calmaria tão feliz. E morna. E agora, já são sete anos de altos e baixos de alguém que não se define. E não sei se isso é bom. E nem sei se confessar isso é bom também. Que vida a nossa!

Mas, eu sou do tipo que fala o que pensa. E este blog está aqui a serviço dos Artistas e da Arte. E se eu não tivesse a coragem de compartilhar esta angústia ( e acredite, não foi nada fácil), como eu poderia continuar falando as verdades que falo aqui?!

Isso sem contar que toda vez que mudo o estilo de pintura vem a chuva de dúvidas e críticas que causo nos amigos, colegas, família. Claro, isso é esperado. Eles não entendem. Se eu não me entendo, como eles podem me entender?! rsrsrsrsrs. Mas não desanimo, pois a minha busca é mais importante do que qualquer crítica ou dúvida. E a sua, deve ser também.

É isso , amigos. Eu continuarei minha busca, até que um dia me satisfaça. E aprendendo muito neste caminho, isto com certeza! Espero que tenha ajudado quem também tenha dúvidas sobre seu caminho Artístico. Somos todos humanos. Em plena evolução, buscando o melhor de nós mesmos.

Boas Artes!

 

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