(Foto de Patrícia Amato)

Quando poderemos ter uma Arte de Vanguarda novamente? Mais do que isso, quando pensaremos como Artistas de Vanguarda? O que seria a Nova Arte de Vanguarda? Isto é possível?

São perguntas que ficam na minha mente desde que assisti uma palestra de Artes em meados de 2003, num curso sobre Humanidades nas Instalações da Editora Abril. Lembro que falávamos sobre as Artes do Centre Pompidou e eu achava aquilo tudo tão novo! Para mim era mesmo. Acho até hoje muito sensacional uma escultura feita de meias de nylon e especiarias, sensorial. Mas não é vanguarda. É Arte Contemporânea. Puxa vida…

E quando teremos vanguarda? Estamos fadados a não tê-la nunca mais? Não entendi. Mesmo. Eu não estudei Artes, então perdoem-me os acadêmicos. Quando alguém pensar algo muito novo, que ninguém sequer concebeu e fizer algo sensacional, o que será?. E se este Artista não for endinheirado nem de família de alguém famoso, mas simplesmente um Artista comum. Muito talentoso e inteligente. Aí ele cria uma Arte muito, muito diferente, à frente de seu tempo. Será o que? Mais uma modalidade de arte contemporânea? Realmente estou confusa.

Acho que rótulos não são o mais importante de tudo. Na verdade, nem ligo para eles. Mas me importo e muito com velhos conceitos. Acho que precisam ser revistos. Senão, a vida fica chata demais.

Tenho saudades da década de 20, embora tenha nascido em 1970. Mas a semana de 1922 foi sensacional. Os então modernistas, conseguiram passar um recado importante. Tenho saudades de não ter vivido um movimento artístico, uma turma articulada que não tinha medo de se expor, que sabia fazer-se ouvir no teatro municipal. Uma época em que mesmo sem haver internet, alguns panfletos e muita organização fizeram uma classe artística tornar-se importante.

O que aconteceu conosco? Quase um século depois, estamos tão…enfraquecidos. Somos tão mais numerosos e tão mais calados. Temos as redes sociais, Arte tornou-se matéria do terceiro grau, chegou a ser ensinada nas escolas (para ser retirada este ano).  Onde está a nossa voz? Deixamos de nos manifestar, trabalhamos isolados, mal nos apoiamos, não nos reconhecemos como classe. Artistas auto-didatas são vistos como menos por alguns Artistas que tem formação Acadêmica ou vice-versa. Nós que somos tão bons em auto-expressão, será que não nos falta aprender expressão coletiva?

Acho que não sabemos a grande força que temos.  Talvez, mais importante do que fazer Arte Contemporânea ou de Vanguarda, é ser um Artista que se expressa como nossos antecessores da Velha Guarda 1920. Um paradoxo interessante, mas que nos ajudaria e bastante a reconquistar o merecido espaço na Cultura Nacional. Artistas em peso expondo nos Museus de São Paulo – Artistas Vivos expondo no Masp, na Pinacoteca, no Instituto Tomie Ohtake e em todos os Museus, todos os meses. Artistas como eu e você que lê este artigo, agora mesmo. Porque não? Porque aceitamos tão passivamente, que simplesmente, NÃO.

Amigos, mobilizemo-nos. Comecemos todos nós a pedir por exposições nos Museus. Há alguns deles que felizmente nos receberão. Outros que dirão não, mas nós devemos insistir. Faça seu grupo de Artistas e mãos a Obra!

Boas Artes!

Anúncios