Conheci o Trabalho de Jair Rhuys pelas redes sociais e me encantei. Começamos a conversar através do blog artenavida e foi uma questão de tempo, muito talento da parte dele e de afinidade nossa para que eu o convidasse a ser um dos 21 Artistas do Grupo de Arte Artenavida. Hoje, vamos mostrar um pouco do talento de Jair Rhuys a todos vocês.

ANV: Como você começou a pintar e como foi?

JR: A pintura surgiu quando entrei para a adolescência, com o presente de meus pais: cavalete, banco e revistas em inglês (os quais tenho comigo até hoje), algumas poucas tintas a óleo e pincéis. Eu olhava para aquilo com muita alegria, curiosidade, mas também muito medo, pois não fazia a mínima ideia de como usar. Mas o desejo de criar algo com tudo aquilo foi maior do que qualquer medo. Pintei alguns casarios, paisagens, marinhas, figuras humanas (nenhum destes trabalhos tenho registro) usando como referência as ilustrações daquelas revistas. Em 1972 tive minhas primeiras aulas com uma professora. Com ela fiz duas marinhas (estão comigo). Desde então nunca mais parei, com alguns longos períodos de pausa por falta de material, é verdade, mas nunca sem vontade de continuar.

ANV: E sua carreira nas Artes, como se desenvolveu?

JR:  Minha formação acadêmica é em Ciências Contábeis, profissão que me manteve por mais de 30 anos suprindo as necessidades materiais da minha família. A pintura sempre esteve ao meu lado para suprir as necessidades da minha alma, ainda de maneira autodidata, com a leitura de livros de história da arte, biografias dos mais variados artistas e visitando exposições e galerias. Apenas em 1988 tive a oportunidade de frequentar um atelier de arte: o do artista Renato Pinto. Com ele conheci algumas técnicas e tratamento de cores. Entre 1988 e 1989 participei de duas Exposições de seus alunos, no Colégio Sacre Coeur de Marie, onde recebi menção honrosa pelo trabalho “Ascenção”.

Esse prêmio serviu de estímulo para desenvolver a temática de meu trabalho: o sagrado, o oculto, o conhecimento do homem enquanto espírito e sua relação com o outro ser humano e com o meio em que vive.

O Centro Cultural Canhema, em Diadema (hoje Casa do Hip Hop), abriu suas portas para duas exposições individuais: “Somos Únicos” em 1997 e “Visões Oníricas” em 1998.

Entre 1998 e 2000 participei de 3 salões de Arte Pararrealista onde recebi medalhas de outro e prata.

Em 2001 participei da  Mostra de Artes de Diadema no Centro Cultural Diadema.

Após a recusa em alguns outros salões decidi mergulhar no aprimoramento de todo o processo, pois ainda pisava em ovos quanto à qualidade da minha produção.

Participei de cursos de técnicas e workshops com vários professores e artistas, dos quais quero destacar os do Mestre e amigo Philip Hallawell, artista plástico, arte-educador e visagista (criador e apresentador da série “À MÃO LIVRE” na TV Cultura). Em 2003 concluí o seu ciclo de 4 workshops de Criatividade, que foi o grande divisor de águas do meu processo artístico, tanto que divido meus trabalhos em duas fases AP e DP (Antes e Depois do Philip)…

Depois do longo período afastado de salões e mostras apresento este ano (2017) 3 trabalhos da série “Orixás” na 2ª Exposição Coletiva de Artes  “Arte no Fórum”, em  São Paulo, sob curadoria de Roko Brasil.

ANV: Seu estilo é contemporâneo, pelo menos nas Obras que conheço. Como vc chegou nele?

JR: Não sei definir meu trabalho, pois acredito que definir é encaixar em padrões, por limites, embora ouço do senso comum que no contemporâneo “tudo pode”. Classifico-o apenas como atemporal e fragmentado. Como sempre digo: Não sou definitivo! Tento me manter fiel apenas à minha temática e aberto a novas técnicas e tecnologias. A cada nova “ideia” segue um grande período de pesquisa no qual busco formas diferentes de expressá-la.

ANV: Quais técnicas vc utiliza? Procure aqui passar pelo menos 1 ou 2 para que as pessoas possam aprender com vc

JR: Em 2009 conheci mais profundamente a tinta acrílica e muitas das infinitas possibilidades que essa técnica proporciona o que me fez deixar o óleo um pouco de lado. Embora alguns artistas ainda classifiquem a tinta acrílica como uma tinta sem personalidade, acredito que os novos médiuns que estão sendo produzidos torná-la-ão, inclusive ecologicamente, a técnica mais promissora.

Gosto da possibilidade de texturas que se consegue com pastas, papel, plástico e muito mais. Às vezes o trabalho lembra o processo do artesanato, mas são técnicas extremamente úteis para representar uma ideia. Uma técnica com a qual gosto de trabalhar é aplicar uma grande quantidade de tinta levemente diluída sobre a tela e deitar sobre ela grandes pedaços de filme plástico (esse mesmo que a gente usa na cozinha para embrulhar alimentos) tendo o cuidado de não pressioná-lo. Por ser fino e extremamente leve, pode ser modelado sobre a tinta criando linhas e bolsas de tinta, ora concentradas ora vazias.

Outro recurso que utilizo com frequência é espargir álcool absoluto (+/-99%) alternando com água sobre a tinta úmida. Isso cria pequenas bolhas de variados formatos (álcool e água reagem de maneira diferente).

Nas duas técnicas me encanta o descontrole, o acaso…. Não podemos controlar todo o processo. Sobre o resultado, novas formas surgem e o trabalho ganha vida própria: obra e artista se diluem.

Mesmo nos trabalhos figurativos, que são a grande maioria, utilizo essas técnicas nas primeiras camadas.

ANV:  Que mensagens passa com sua arte?

JR: Penso que meu trabalho reflete meu anseio pelo conhecimento. Muito menos externo e muito mais interno. Para saber pra onde vou, devo conhecer de onde vim, minhas raízes,  e em que momento estou, e principalmente QUEM SOU. Não como artista, como pai, como filho, que são papéis, mas quem sou na essência, na origem ou seja, tirando todos esse papéis o que sobra?… A vida não tem sentido em si mesma, então que sentido quero dar a ela? Isso me motiva e através do meu trabalho procuro instigar as pessoas a pensarem sobre isso.

ANV: Recentemente vc foi convidado para integrar o grupo  de Arte Artenavida de Artistas. O que este convite significa para você?

JR: Sempre busquei espaço sozinho e isso era bastante estressante e desanimador. Minha arte é bastante conceitual e para um público que nem sempre era fácil de alcançar. Mesmo que um tanto tardiamente e com a ajuda das mídias sociais, decidi no final do ano passado que me jogaria no mundo (rs) e vinha o que viesse. E veio! Por sincronicidade conheci o Artenavida, através da Patrícia, seu blog e suas iniciativas extremamente motivadoras. Participar de um grupo de artistas, com o quilate dos que no Artenavida se irmanam é de uma importância sem tamanho. Abre infinitas possibilidades de aprendizado, de participação efetiva no mercado e, principalmente, amplia o leque de amizades com pessoas afins, importantíssimo para a alma do artista.

ANV: Que recado gostaria de deixar a todos nós?

JR: Gostaria neste espaço de falar sobre a importância que tem o artista (seja em qual arte for) para o mundo. Um mensageiro! Acredito no poder da arte como linguagem, forma de comunicação. Penso que a pintura tem a missão de comunicar, criticar, mostrar até mesmo o que as pessoas não querem ver. Apesar de respeitar e admirar os retratistas, os pintores de naturezas-mortas  e os paisagistas, penso como Carl Andre: quero pintar o que não está lá, pelo menos visivelmente.  Goethe afirmava que a arte tinha como missão transmitir, através da aparência, a ilusão de uma realidade superior. Na obra artística, espírito e natureza, idealidade e realidade se fundem.  Nem sempre pela forma, às vezes apenas pela cor, pela energia. Não importa! Nada é impossível na Arte…

ANV: Realmente Jair, não foi por acaso que nos demos tão bem e que hoje você faz parte do Grupo Artenavida. Realmente, nada é impossível na Arte! E falando nisto, quais são os seus próximos trabalhos em vista, além do grupo Artenavida?

JR: Para este ano planejamos principalmente um evento com exposição de pinturas, fotos, música, poesia e dança, voltados para a cultura negra, na qual participarei com minha série dos “Orixás”. Tenho em mente a criação de novas séries, mas a ideia ainda não está madura. Além disto, continuo dando aulas de pintura e desenho na Casa do Restaurador, em domicilio para alunos individuais ou grupos e aberto para cursos e workshops onde me chamarem.

Abaixo, seguem os Contatos de Jair Rhuys para Aulas, workshops e exposições.

Boas Artes!

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