Segundo Freud, os artistas e os loucos estão à frente da humanidade (Freud, in Corrêa, 2001). Arthur Bispo do Rosário foi  classificado como esquizofrênico paranóide e durante sua internação, mostrou-se Artista. Os críticos de arte o consideram um dos Grandes da Arte Contemporânea. E sinceramente, acho que era mesmo.

Este brasileiro nasceu em 1909 em Sergipe e morreu em 1989 no Rio de Janeiro, onde por 50 anos viveu internado numa colônia psiquiátrica. Isto significa que por 30 anos, Bispo do Rosário teve uma vida fora de internações. Foi marinheiro, pugilista ( e sempre teve muita força física, inclusive ajudava enfermeiros a conter os internos mais violentos dentro da colônia psiquiátrica), lavador de bondes, borracheiro e trabalhou na light.

Foi lá na light que um dia, ele se recusou a cumprir uma ordem de seu encarregado ( e o ameaçou) e foi mandado embora. Mas ele conheceu um advogado, Sr. Humberto Leone que o representou juridicamente ao mover uma ação contra a Light. Então, Bispo do Rosário além de conseguir uma indenização, conseguiu também a amizade desse advogado e foi trabalhar para a sua família.

Lá na mansão Leone, Bispo fez de tudo e tornou-se quase um membro da família. Foi quando em 1938 ele afirmou ver Cristo no quintal da casa, acompanhado de sete anjos azuis. Depois desta visão, saiu pelas ruas e assim ficou por dois dias pois pretendia avisar a todos quanto pudesse desta visão. Chegou ao Mosteiro de São Bento e os monges, chamaram a polícia civil. A polícia o levou para o Hospício Nacional dos Alienados que o transferiram para a Colônia Juliano Moreira e aí…

Bispo era artista de alma. Tudo o que ele via, virava Arte para que ele pudesse se expressar. Os bordados e as construções de objetos foram o seu meio de criar peças artísticas e instalações. Muito talento, capricho e necessidade de auto-expressão certamente ajudaram Bispo durante o seu processo de internação.

Sua poética era baseada em sua vida. Tudo o que ele encontrava, transformava em objetos artísticos. Regadores, fios de farda azul que ele desfiava, chinelos dos detentos, canecas de alumínio, lonas, papéis de bala, talheres, cacos de vidro, restos de madeira. E assim, ele contava como era e como seria no pós vida. Também planejava seu futuro, talvez quando saísse da Colônia de Tratamento.

Hoje em dia, com o surgimentos dos CAPS (Centro de Apoio Psico Social) em todas as cidades brasileiras cuja função é atender esquizofrênicos e doentes mentais para evitar as internações. acredito que Arthur Bispo do Rosário poderia sim estar à frente do tempo dele, como diria Freud. E quem sabe, não teria sido internado, mas sim tratado. Talvez não tivesse produzido as Obras que produziu senão fosse internado, talvez sim. Talvez tivesse produzido outras Obras muito melhores, nunca saberemos.

O fato é que felizmente, hoje pessoas como Arthur Bispo do Rosário merecem um tratamento mais adequado e a Arte como terapia, nos CAPS. A Arte que nos salva, salvou Bispo que muitas vezes rejeitou tomar seus remédios por sentir que alteravam sua consciência. Lindo!

Obrigada por seu capricho, poética e Arte, Bispo! Você viverá para sempre através do legado que deixou.

Boas Artes!

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