Obra: “O Triste Lamento de Um Pássaro”, de Sergio Grecu. Vendida em uma de suas exposições individuais.

Antes de tudo, é meu Mestre e grande amigo. Escrevi este texto para o Sergio em 2015, mas ele nunca publicou. Já fiz entrevista com ele aqui (foi minha primeira no artenavida), já mencionei ele inúmeras vezes em meus artigos e ele sempre comenta. Mas agora, meu amigo está enfrentando a batalha de saúde mais difícil da sua vida. E eu estou em contato com ele sempre e também com a Karina Grecu, filha do Sergio.

Agora, enquanto meu amigo  luta com todas as suas forças, quero divulgar mais uma vez o trabalho de um Artista Ímpar, cujo talento é dos maiores que conheço até hoje. Segue o texto de 2015, na íntegra.

Quem é Sergio Grecu

Quando recebi o convite para falar sobre o trabalho de Sergio Grecu, primeiro fiz como todo mundo faz. Escrevi um texto contando a história do trabalho dele. Depois, pensei melhor e vi que ele merecia uma outra tratativa e revisei o texto. Sergio Grecu para mim é único, diferente no seu modo de elaborar idéias, de pensar e agir. Um artista em constante metamorfose ascendente.

Assim, começo falando deste grande SER que é Sergio Grecu.

O Retrato de Karina

Obra: “Retrato de Karina” (filha de Sergio), de Sergio Grecu.

  • UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Ele nasceu em São Caetano do Sul – São Paulo e desde cedo já dava sinais de que a Arte seria o seu caminho. Seguiu os passos do pai quando aos 12 anos quis trabalhar na mesma indústria em que seu pai já havia trabalhado. Foi uma questão de pouquíssimo tempo para que ele já estivesse envolvido em meio a desenhos e moldes de fundição. Uma primeira semente – instigante – com o mundo da Arte.

O metal, o fogo e uma alma sedenta de aprendizado forjaram os primeiros traços de um artista talentoso. Sergio, aos 17 anos foi promovido e passou a integrar o departamento de arte desta mesma empresa.

Paralelamente em sua vida, desenhava tudo o que via pela frente. Ávido por aprender, quadriculava as formas e rostos e os ampliava. O grafite e o papel eram seus amigos inseparáveis. Aliados à régua e ao esquadro, formaram o Quarteto Fantástico do então adolescente Sergio Grecu.

 

O Adolescente cresceu e com ele, cresceu também sua arte.  Em 1967, Sergio tornou-se um dos precursores dos Pintores Expositores da Praça da República. Com muito sucesso, vendia tudo o que pintava. Os quadros daquela época, representavam muito do nosso Brasil: igrejas, favelas, capoeira, palafitas, nascer e por do sol, o Norte e o Nordeste. Sergio então juntou-se com 12 artistas e formou-se o GRUPO dos 13 e juntos realizaram inúmeras exposições .

O tempo passou – a Arte de Sergio Grecu continuou amadurecendo. Ele tornou-se Diretor de Arte da Continental Discos e produziu as mais diversas capas de LP, desde psicodélicas capas de bandas de Rock and Roll até românticas minimalistas da MPB. Seus quadros refletiram a influência desta época.

 

Sergio então começou a despontar como Artista Plástico de renome. Conquistou a façanha de ser membro da AIAP – Associação Internacional de Artes Plásticas. Além disto, conseguiu ser selecionado para pré-bienais, vários salões de arte e exposições tendo destaque os seguintes: III e IV Encontro de Artes Plásticas de Atibaia, XIV Salão de Artes da Volkswagen do Brasil – onde recebeu Medalha de Ouro, XVII e XVIII Mostra de Arte da Granja Vianna, Exposição de Arte do Centro Britânico Brasileiro, Chapel School Exposition, Galeria Marcelo Neves – Exposição Individual

 

Hoje, as obras de Sergio Grecu integram o acervo de colecionadores do Brasil e do Exterior, sendo uma delas parte do acervo da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Atualmente, pinta em duas vertentes : A Surrealista – influenciado principalmente por Salvador Dali e Vito Campanella, entre outros – E a Simbolista – influenciado por KLIMT, seu pintor predileto.

  • A OBRA

Eu me encanto, me emociono, sorrio. Sento numa cadeira e aprecio cada detalhe. Os ovos, os pássaros, as mulheres encantadoras, os chãos quadriculados. As metáforas de suas Obras conseguem elevar nosso espírito. A arte é isto – você gosta ou não gosta – não é necessário estudar numa escola para entende-la. Sua alma entende. Pode acreditar!

E quando não entendemos, é só perguntar. Quando vi pela primeira vez a enorme tela “A Cada Um Segundo Suas Obras”, confesso que não entendi tudo. Mas senti uma emoção naquela beleza e chorei. Perguntei para ele o que queria dizer e ele me explicou: “ A profetiza, ela aponta para a torre de Babel – que seria o edifício mais alto para elevar o homem a Deus…mas a profetiza previu que o homem inventaria a nave espacial, por isso coloquei lá a nave … e por isso fiz a profetiza com a cebeça futurista também…do outro lado o balão que foi a primeira nave que o homem criou para voar e do outro o farol simbolizando algo que aponta um caminho pois em cima dele há um disco voador  – este farol sinaliza a ciência evoluindo….a prostituta com o rosto coberto está a seguir, são pessoas que encontramos pela vida, assim como a figura enigma e a libertina, todas elas simbolizam o que vemos por aí né…” Precisa dizer mais?!

A Cada Um Segundo Suas Obras

Tela: “A Cada Um, Segundo Suas Obras”. Esta é a tela de Sergio que descrevo no parágrafo acima e que me faz viajar para lugares distintos, a acada olhar.

Ele levou 3 meses para criar, mais 3 para realizar esta obra de 1,7metros. Um gênio.

  • O SER HUMANO

Sergio Grecu é um Mestre. Mas acima de tudo, é um ser humano maravilhoso. Além de poeta das imagens, é um homem sábio. Tem a verve artística temperada pela bondade de seu coração e pelo amor ao próximo. Um guerreiro que sabe viver a vida e saboreá-la em companhia dos amigos, da família e de quem quiser conversar com ele.

Um homem que venceu a si próprio e que do alto do seu saber tem a humildade de dizer que precisa aprender muitas técnicas para se aprimorar.

Eu espero que ele viva com saúde até depois dos 100 anos. Claro que sim! Já pensou no que está por vir se ele ainda melhorar mais?!!!!

Patrícia Amato

Artista Plástica, Aluna eterna e Amiga de Sergio Grecu.

 

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