(Obra: Fechado e Proibido de Patrícia Amato –  foto e colagem com intervenção)

Demorei um pouco para escrever sobre a polêmica causada com a proibição da exposição LGBT-Q do Santander.  O que me fez ponderar para falar sobre este assunto, foi a necessidade de ver as Obras através de boas matérias e entender seu contexto, antes de formar minha opinião.

Muita gente já falou sobre o caso e não acho que falar o óbvio aqui adicione mais valor às nossas vidas. Sim, houve um manifesto de pessoas que não entenderam a exposição. Depois, muita gente sem sequer ver ou ler sobre a natureza das Obras saiu opinando e defendendo um dos lados como se tivesse lido a contracapa de um livro. Houve também quem se aprofundasse no assunto e emitisse sua opinião com mais embasamento. E também houve uma instituição que cedeu à pressão popular e optou por não manter uma exposição polêmica, a mesma que tinha optado por ‘peitar’.

Diante do exposto, gostaria de dividir alguns pontos de vista com vocês:

  • O Grande paradoxo da Exposição do SANTANDER foi conseguir seu objetivo justamente sendo cancelada. Nunca falou-se tanto,  debateu-se tanto e mais, pesquisou-se tanto sobre o conteúdo e contexto de Obras de uma exposição. Ela já é um sucesso.
  • A Exposição LGBT-Q ganhou muito mais defensores do que atacantes. E justamente pelo fato das pessoas terem estudado o contexto das Obras, ela já fez história. E divulgou sua mensagem de maneira rápida.

Agora, alguns aprendizados para todos nós artistas:

  • Obras não vem com legendas, nem nunca vieram, graças a Deus. São feitas para que as pessoas pensem sobre elas.  Quanto mais polêmicos forem os assuntos, mais inteligente precisam ser os questionamentos ou a forma que se passa a mensagem através da Obra. KLIMT foi um grande gênio de questionamentos através de suas obras simbolistas. Um grande exemplo é a tela “resposta aos críticos” com uma mulher nua mostrando seu lindo traseiro. Uma forma inteligente e sensualmente KLIMTINIANA de dizer “kiss my ass” aos críticos da época.
  • Ainda sobre questionamentos de assuntos polêmicos – se eles não forem muito bem pensados artisticamente, geram respostas pouco inteligentes pois não são entendidos. Vejamos as críticas sobre pedofilia nas Obras das série “Crianças Viadas” , que de nada tem sobre apologia à pedofilia. Nada mesmo.  Serve de aprendizado para todos nós. É importante passar uma mensagem que realmente atinja as pessoas com o que queremos para não acontecer uma coisa assim. E não é fácil fazer isto. Com o assunto de homossexualidade infantil, a tarefa não é nada fácil. Como você faria? Difícil, né. A ideia da artista foi muito boa (ela retratou crianças hoje adultas, que postam suas fotos de quando crianças num site chamado crianças viadas, com a autorização das mesmas) mas (a ideia) não foi boa o suficiente para gerar questionamentos úteis, logo de primeira. Ao contrário.
  • Sobre a curadoria, assim como há nas bienais, precisava ter faixas etárias indicativas para as obras, né! Uma atitude tão simples, que nem precisa ser respeitada (não é censura) mas não dá motivo de graça para quem procura pelo em ovo para agitar o fechamento de uma exposição. Que vida.
  • Por fim, sejamos solidários com os nossos colegas de classe artística. Amanhã pode acontecer com qualquer um de nós. Um processo, um julgamento mal feito numa obra com uma mensagem menos clara que possamos fazer. Nenhum de nós é tão brilhante assim a ponto de deixar toda obra  com uma baita mensagem, sejamos honestos.

Depois que acontece, fica mais fácil pensar. O fato é que esta exposição foi pioneira e todo pioneirismo tem um preço.  Merece um grande respeito.

Sigamos em frente. Criando, inovando e fazendo pensar, mas acima de tudo pensando para fazer. Boas Artes!

Anúncios