A Arte de dar zoom nas coisas positivas da vida

Fotos de Patrícia Amato

Todos nós passamos por fases mais difíceis na vida. E é absolutamente normal que num momento mais tenso ou mais triste, fiquemos diferentes. Algumas pessoas se fecham, outras ficam deprimidas, outras ainda ficam mais agressivas. Uma série de comportamentos reativos aparecem quando um relacionamento termina, quando perdemos ou estamos na iminência de perder o emprego, quando nós ou alguém que amamos está doente seriamente ou  quando perdemos alguém querido.

As causas acima felizmente tendem a passar e tudo voltar ao normal.

Também nos aborrecemos com as pequenas coisas que são regulares na nossa vida e isto é mais complicado de passar, pois é crônico. Por exemplo, o trânsito de todos os dias, a falta de segurança, um casamento mais ou menos, um trabalho mais ou menos, as contas que não fecham.

Quanto mais reclamamos de uma situação, parece que mais intenso fica o problema. É como sentir a dor mais de uma vez e de novo e de novo.  A boa notícia é que esta máxima vale também para as boas coisas, então podemos claramente decidir melhorar nosso ânimo dando um ZOOM nas coisas que nos façam bem.

Coloque bastante atenção no momento mais prazeroso do seu dia. E se você não sabe qual é, crie este momento. Pode ser no banho ao esfregar o sabonete cheiroso – amplie esta sensação, sinta voluntariamente o perfume que sai quando a água bate na barra ou no sabonete liquido. Pode ser escutando uma música entre as 400 que você ouve todo dia. Coloque propositalmente a atenção numa que você gosta mais e saiba ou queira saber a letra, mesmo que em outra língua. Se tem que cozinhar e sejamos francos, cozinhar todos os dias por obrigação não é divertido, mas se tem que fazer…. no momento em que o cheirinho da cebola e do alho exalarem seu esplendor, aproveite. Sinta o cheiro do conforto de fazer sua comidinha e delicie-se por aquele segundos.

Ah, mas as contrariedades são tantas, você pode pensar. É verdade sim, ninguém esta dizendo que não e nem estou sugerindo brincar de Polyanna. Apenas estou colocando um pensamento para refletir. Se a vida é feita de momentos, quanto mais bons momentos deliberadamente criarmos, mais felizes nos sentiremos e mais facilmente amenizaremos as adversidades. É assim para todo mundo.

Agora vou parar de escrever, coisa que adoro, pois tem uma pia de louça gigantesca me esperando. Não gosto de lavar louça, não. Mas vou lavar e neste instante escolho pensar que minha pia ficará linda e limpinha. E como está calor , até que vai ser bom mexer um pouco com a água fria.

Beleza e Arrumação fazem do meu lar algo mais gostoso para viver. E o Belo tem tudo a ver com Arte. Bora lavar a louça! Hehe!

Boas Artes!

Patrícia Amato.

(Abaixo uma seleção de zooms bonitos que selecionei para você treinar seu ponto de vista – todas as fotos by Patrícia Amato)

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A Arte de Viver Bem. Dicas bem bacanas.

(foto de Patrícia Amato)

Antes de tudo, preciso dizer que não acredito em fórmulas mágicas do tipo Dez Passos para o Sucesso. E acho também que cada um de nós tem seu próprio conceito do que seja Viver Bem, ou seja, o que é uma delícia e muito importante para mim pode não ser para você.

Tendo isso como premissa, o que vou compartilhar aqui tem a ver com uma forma de olhar a vida e fazer dela algo leve e divertido principalmente naqueles momentos mais difíceis. Aprendi a fazer e dar valor para certas coisas que vou colocar aqui quando em 2002 meu primeiro casamento acabou e depois em 2007 quando eu fali, literalmente. Nesta última experiência, não tinha grana para nadinha, às vezes faltava para o supermercado. Mas, depois tudo se arranjou e em quatro anos eu paguei minhas dívidas. Sobre a primeira, devo dizer que foi muito difícil por três meses e que pouco a pouco me levantei. Hoje sou casada novamente há 14 anos com o amor da minha vida.

O ponto é que o Ser Humano precisa encontrar felicidade mesmo durante uma crise forte, porque senão ele simplesmente sucumbe.

Há vários tipos de perdas. A pior de todas é a da saúde. Outra muito difícil é a de pessoas muito importantes na nossa vida. Como ser feliz num momento desses?! De verdade, acho que na hora que recebemos uma noticia péssima, não dá. É preciso viver mesmo o impacto da coisa e sentir de verdade o que temos direito. Dor, raiva, medo, revolta, saudade, sem chão, seja o que for. Depois de uns dias, é que sim, precisamos reagir.

O que eu fiz e que me ajudou muito nestes dois casos, foi uma lista de coisas que eu gostava muito e tinha em mãos, que me faziam muito bem e que nem me dava conta. Compartilho com vocês:

  • Eu sei cozinhar
  • Amo meus pais e meus irmãos e nos encontramos sempre
  • Tenho alguns amigos: (coloquei os nomes)
  • Já superei outras crises (coloquei quais. Não importa se maiores ou menores do que a atual)
  • Gosto de olhar o céu quando tem lua
  • Gosto de passear no parque
  • Tenho meus cachorros
  • Gosto de vinho (mesmo quando era muito caro para mim)
  • Quando minha garganta dá um nó, eu posso chorar e me aliviar
  • Gosto de decorar a casa
  • Gosto de acender velas
  • Gosto de ler livros(coloquei o nome da minha crença espiritual)
  • Gosto de Arte e de Pintar

E sem brincadeira, a lista cresceu muito. Toda a vez que eu lembrava de algo que gostava, corria lá e escrevia.

Depois, fiz uma segunda lista. E esta renovo todos os anos desde então. De posse da primeira lista e baseada nela, eu me comprometi comigo mesma que poderia fazer em um ano coisas simples e sem custo elevado que me deixassem mais feliz. E que no ano seguinte eu olharia para a lista e daria os “tiques” naquilo que havia realizado e programaria a lista do ano seguinte. Compartilho uma das minhas listas com vocês:

  • Vou dançar no jardim com meus cachorros uma música muito alegre.
  • Vou pegar um edredom e colocar no chão, deitar sobre ele a noite e olhar as estrelas. Comprarei um vinho ou Champagne para este dia e tomarei sozinha ou acompanhada.
  • Vou almoçar e jantar na varanda do apartamento apreciando os barulhinhos ao redor.
  • Vou fechar os olhos por 10 minutos e simplesmente escutar o som da natureza e do ambiente.
  • Vou apagar todas as luzes da casa e deixar muitas velas acesas. E jantarei assim, mesmo que seja um miojinho com ovos.
  • Vou ouvir sempre minhas músicas (listei as prediletas) e cantar no carro em voz alta feito uma doida
  • Vou passear na pracinha perto de casa toda semana
  • Vou comer mais saladas e frutas

Pronto. Esta foi uma lista simples que amei. Vocês não imaginam como foi gostoso pensar em coisas que eu poderia fazer sem depender de nada e de ninguém para ser feliz e principalmente realizar. Senti-me cheia de poder pessoal e o bom ânimo ia voltando mais e mais.

Preciso dizer que o meu marido lindo, o André entrou na minha vida e tive o prazer de realizar  a parte de colocar o edredom no chão e olhar as estrelas com ele. Comprei um Brut da Salton no supermercado que eu adoro, deixei bem geladinho e levei-o comigo. O céu estava lindo nesta noite de lua cheia…Foi ótimo fazer isto com ele, mas eu faria mesmo sozinha se não tivesse tido a sorte de encontrá-lo. Onde fazer isto?! No jardim do seu prédio, num lugar lindo no interior de São Paulo (em Joanópolis as pessoas sempre fazem isto), em qualquer cidade tranquila e pequena que você conheça ou que um amigo tenha casa;

Todo o ano eu realizo estas coisas praticamente gratuitas e elas me ajudam a sair de um estado mais  triste ou manter-me bem.

Meu convite é que você faça a sua própria lista com coisas que façam sentido para você e saia mais fortalecido desta experiência. Para Sempre.

Boas Artes!

Patrícia Amato.

Brunon Lechowski

Eu sou uma entusiasta de Brunon Bronislaw Lechowski. Aqui vou contar porque.

Ele nasceu na Polônia, em Varsóvia em 1887. Este grande artista foi pintor, desenhista, professor, arquiteto e músico. Estudou na Academia de Belas Artes de Kiev na Ucrânia e em São Petersburgo na Rússia. Em Varsóvia, tornou-se professor na Academia de Belas Artes entre os anos de 1914 e 1922.

Mas Brunon era uma pessoa grande demais para ficar num lugar só. Então imagine em plena década de 20, para ser mais especifica entre os anos de 1922 e 1923 quando a arte moderna tomava conta do cenário e da história do mundo, ele fez um projeto audacioso. E é por isso que sou sua fã incondicional. Desenvolveu o Projeto da Casa Internacional do Artista. Ideologicamente, esta instituição deveria ter sede no maior número possível de países e permitiria aos artistas de todas as áreas produzir e viver de sua arte.

Poderia ser apenas um sonho se ele não tivesse arregaçado as mangas e colocado os pés na estrada. Mas, como assim?! Você não ouviu falar dele? Um Artista que conseguiu fazer uma coisa destas, sonho de tantos nós que queremos viver de arte? Espera que vou te contar…

Brunon acreditava que na Casa Internacional do Artista, qualquer artista poderia residir, trabalhar e receber uma parte da receita gerada da venda de ingressos das exposições que seriam realizadas. E não de venda de quadros. Munido de força e idealismo, fez uma aposta com seus amigos em 1924. Na verdade, o dinheiro desta aposta patrocinou o primeiro passo deste ideal. Em troca desta soma de dinheiro que recebeu e que destinaria para a construção da primeira sede da Casa Internacional do Artista em Varsóvia, ele aceitou viajar por todos os continentes falando apenas polonês e vivendo sim apenas da venda de ingressos das suas exposições.

Ele desenvolveu um sistema de exposições portáteis, uma espécie de tenda. Com o tempo soubemos que montava as exposições em locais alternativos – até em terrenos baldios.

Eis que em 1925, para sorte nossa, ele chega ao Brasil – no Rio de janeiro. Nossa, ele enlouqueceu com a paisagem natural. Apaixonou-se! Empoleirava-se pelos morros e pintou o Rio ardentemente. Aquarelas, óleos e tudo o que pode. Trabalhou loucamente e entusiasticamente. Chegou a viajar para Curitiba, depois para São Paulo e em todos estes lugares fez as exposições portáteis. Voltou ao Rio em 1931. Tudo isto com família, ele não era sozinho não!

Pesquisando eu soube que Brunon era acima de tudo um grande humanista. Na maior parte das vezes, ele nem vendia seus quadros. Se a pessoa gostava, levava a obra. Para isso, pagava pelo ingresso da exposição. Que sacada! E quando em Curitiba foi obrigado a vender seus quadros para poder pagar suas despesas, ficou chateado. Não era sua ideologia.

Ao voltar para o Rio, viu um grupo de moços que eram pintores de paredes e de cascos de navios. Um deles chamava-se Pancetti e o outro Takaoka. Por algum motivo, acreditou neles e resolveu ensinar pintura de graça a estes moços. Junto com um grupo acadêmico da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, utilizavam o porão da escola durante as noites para este fim e desta forma fundaram o Núcleo Bernardelli(em homenagem aos irmãos Bernaardelli). E foi assim que Brunon Lechowski ensinou diretamente Pancetti e Takaoka a pintar….Outros artistas que fizeram parte do Núcleo Bernardelli: Yuji Tamaki, Milton Dacosta, Manoel Santiago, entre muitos outros. Brunon era uma referência e mentor para os alunos do núcleo Bernardelli, conhecido por ser uma pessoa que vive o que prega.

O que me encanta em Brunon é sua humildade, honestidade e verdade artísticas. Ele ficou atrás das cenas mas formou  ícones da arte moderna brasileira. Mas ele não largou seu ideal ate o fim. Em 1932 ele conseguiu uma sede da Casa Internacional do artista no Rio, mas não foi para frente.  Ele mudou-se para um sítio na Ilha de Paquetá e continuou entusiasmado com planos de distribuir a terra para plantio de plantas medicinais. Só que pessoas como Brunon são muito especiais e costumam ser chamadas cedo para perto de Deus. E assim foi com ele. Foi-se cedo aos 54 anos, em 1941 para o andar de cima.

Imagino que de lá ele deve continuar de alguma forma seu projeto, só que de uma maneira mais holística e ampla. Deve estar inspirando muitos artistas, não mais de forma internacional. Agora, de forma Universal. Sim, deve estar numa falange de anjos da guarda da arte inspirando a nós artistas e de certa forma, mais do que realizando seu projeto.

Obrigada Brunon Lechowski por seu grande legado! Boas Artes!

Patrícia Amato.

A seguir, veja algumas obras dele.

fontes: wikipedia, Livro “Rio Capital da Beleza”, Brunon Lechowski, Livraria Grandes Escritores