Bate Papo Comigo #3 – Quadro ou Obra de Arte?

Inspirada por meu amigo Leandro Dário do #Somos Todos Caveira, gravei este bate papo com exemplos práticos (meus) de diferenças entre Quadro e Arte. Mais ainda, falo e mostro na prática um pouco sobre poética artística. Para ver, clique aqui

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Arthur Bispo do Rosário, um Artista Genial

Segundo Freud, os artistas e os loucos estão à frente da humanidade (Freud, in Corrêa, 2001). Arthur Bispo do Rosário foi  classificado como esquizofrênico paranóide e durante sua internação, mostrou-se Artista. Os críticos de arte o consideram um dos Grandes da Arte Contemporânea. E sinceramente, acho que era mesmo.

Este brasileiro nasceu em 1909 em Sergipe e morreu em 1989 no Rio de Janeiro, onde por 50 anos viveu internado numa colônia psiquiátrica. Isto significa que por 30 anos, Bispo do Rosário teve uma vida fora de internações. Foi marinheiro, pugilista ( e sempre teve muita força física, inclusive ajudava enfermeiros a conter os internos mais violentos dentro da colônia psiquiátrica), lavador de bondes, borracheiro e trabalhou na light.

Foi lá na light que um dia, ele se recusou a cumprir uma ordem de seu encarregado ( e o ameaçou) e foi mandado embora. Mas ele conheceu um advogado, Sr. Humberto Leone que o representou juridicamente ao mover uma ação contra a Light. Então, Bispo do Rosário além de conseguir uma indenização, conseguiu também a amizade desse advogado e foi trabalhar para a sua família.

Lá na mansão Leone, Bispo fez de tudo e tornou-se quase um membro da família. Foi quando em 1938 ele afirmou ver Cristo no quintal da casa, acompanhado de sete anjos azuis. Depois desta visão, saiu pelas ruas e assim ficou por dois dias pois pretendia avisar a todos quanto pudesse desta visão. Chegou ao Mosteiro de São Bento e os monges, chamaram a polícia civil. A polícia o levou para o Hospício Nacional dos Alienados que o transferiram para a Colônia Juliano Moreira e aí…

Bispo era artista de alma. Tudo o que ele via, virava Arte para que ele pudesse se expressar. Os bordados e as construções de objetos foram o seu meio de criar peças artísticas e instalações. Muito talento, capricho e necessidade de auto-expressão certamente ajudaram Bispo durante o seu processo de internação.

Sua poética era baseada em sua vida. Tudo o que ele encontrava, transformava em objetos artísticos. Regadores, fios de farda azul que ele desfiava, chinelos dos detentos, canecas de alumínio, lonas, papéis de bala, talheres, cacos de vidro, restos de madeira. E assim, ele contava como era e como seria no pós vida. Também planejava seu futuro, talvez quando saísse da Colônia de Tratamento.

Hoje em dia, com o surgimentos dos CAPS (Centro de Apoio Psico Social) em todas as cidades brasileiras cuja função é atender esquizofrênicos e doentes mentais para evitar as internações. acredito que Arthur Bispo do Rosário poderia sim estar à frente do tempo dele, como diria Freud. E quem sabe, não teria sido internado, mas sim tratado. Talvez não tivesse produzido as Obras que produziu senão fosse internado, talvez sim. Talvez tivesse produzido outras Obras muito melhores, nunca saberemos.

O fato é que felizmente, hoje pessoas como Arthur Bispo do Rosário merecem um tratamento mais adequado e a Arte como terapia, nos CAPS. A Arte que nos salva, salvou Bispo que muitas vezes rejeitou tomar seus remédios por sentir que alteravam sua consciência. Lindo!

Obrigada por seu capricho, poética e Arte, Bispo! Você viverá para sempre através do legado que deixou.

Boas Artes!

Entrevista com o Artista Visual Jair Rhuys

Conheci o Trabalho de Jair Rhuys pelas redes sociais e me encantei. Começamos a conversar através do blog artenavida e foi uma questão de tempo, muito talento da parte dele e de afinidade nossa para que eu o convidasse a ser um dos 21 Artistas do Grupo de Arte Artenavida. Hoje, vamos mostrar um pouco do talento de Jair Rhuys a todos vocês.

ANV: Como você começou a pintar e como foi?

JR: A pintura surgiu quando entrei para a adolescência, com o presente de meus pais: cavalete, banco e revistas em inglês (os quais tenho comigo até hoje), algumas poucas tintas a óleo e pincéis. Eu olhava para aquilo com muita alegria, curiosidade, mas também muito medo, pois não fazia a mínima ideia de como usar. Mas o desejo de criar algo com tudo aquilo foi maior do que qualquer medo. Pintei alguns casarios, paisagens, marinhas, figuras humanas (nenhum destes trabalhos tenho registro) usando como referência as ilustrações daquelas revistas. Em 1972 tive minhas primeiras aulas com uma professora. Com ela fiz duas marinhas (estão comigo). Desde então nunca mais parei, com alguns longos períodos de pausa por falta de material, é verdade, mas nunca sem vontade de continuar.

ANV: E sua carreira nas Artes, como se desenvolveu?

JR:  Minha formação acadêmica é em Ciências Contábeis, profissão que me manteve por mais de 30 anos suprindo as necessidades materiais da minha família. A pintura sempre esteve ao meu lado para suprir as necessidades da minha alma, ainda de maneira autodidata, com a leitura de livros de história da arte, biografias dos mais variados artistas e visitando exposições e galerias. Apenas em 1988 tive a oportunidade de frequentar um atelier de arte: o do artista Renato Pinto. Com ele conheci algumas técnicas e tratamento de cores. Entre 1988 e 1989 participei de duas Exposições de seus alunos, no Colégio Sacre Coeur de Marie, onde recebi menção honrosa pelo trabalho “Ascenção”.

Esse prêmio serviu de estímulo para desenvolver a temática de meu trabalho: o sagrado, o oculto, o conhecimento do homem enquanto espírito e sua relação com o outro ser humano e com o meio em que vive.

O Centro Cultural Canhema, em Diadema (hoje Casa do Hip Hop), abriu suas portas para duas exposições individuais: “Somos Únicos” em 1997 e “Visões Oníricas” em 1998.

Entre 1998 e 2000 participei de 3 salões de Arte Pararrealista onde recebi medalhas de outro e prata.

Em 2001 participei da  Mostra de Artes de Diadema no Centro Cultural Diadema.

Após a recusa em alguns outros salões decidi mergulhar no aprimoramento de todo o processo, pois ainda pisava em ovos quanto à qualidade da minha produção.

Participei de cursos de técnicas e workshops com vários professores e artistas, dos quais quero destacar os do Mestre e amigo Philip Hallawell, artista plástico, arte-educador e visagista (criador e apresentador da série “À MÃO LIVRE” na TV Cultura). Em 2003 concluí o seu ciclo de 4 workshops de Criatividade, que foi o grande divisor de águas do meu processo artístico, tanto que divido meus trabalhos em duas fases AP e DP (Antes e Depois do Philip)…

Depois do longo período afastado de salões e mostras apresento este ano (2017) 3 trabalhos da série “Orixás” na 2ª Exposição Coletiva de Artes  “Arte no Fórum”, em  São Paulo, sob curadoria de Roko Brasil.

ANV: Seu estilo é contemporâneo, pelo menos nas Obras que conheço. Como vc chegou nele?

JR: Não sei definir meu trabalho, pois acredito que definir é encaixar em padrões, por limites, embora ouço do senso comum que no contemporâneo “tudo pode”. Classifico-o apenas como atemporal e fragmentado. Como sempre digo: Não sou definitivo! Tento me manter fiel apenas à minha temática e aberto a novas técnicas e tecnologias. A cada nova “ideia” segue um grande período de pesquisa no qual busco formas diferentes de expressá-la.

ANV: Quais técnicas vc utiliza? Procure aqui passar pelo menos 1 ou 2 para que as pessoas possam aprender com vc

JR: Em 2009 conheci mais profundamente a tinta acrílica e muitas das infinitas possibilidades que essa técnica proporciona o que me fez deixar o óleo um pouco de lado. Embora alguns artistas ainda classifiquem a tinta acrílica como uma tinta sem personalidade, acredito que os novos médiuns que estão sendo produzidos torná-la-ão, inclusive ecologicamente, a técnica mais promissora.

Gosto da possibilidade de texturas que se consegue com pastas, papel, plástico e muito mais. Às vezes o trabalho lembra o processo do artesanato, mas são técnicas extremamente úteis para representar uma ideia. Uma técnica com a qual gosto de trabalhar é aplicar uma grande quantidade de tinta levemente diluída sobre a tela e deitar sobre ela grandes pedaços de filme plástico (esse mesmo que a gente usa na cozinha para embrulhar alimentos) tendo o cuidado de não pressioná-lo. Por ser fino e extremamente leve, pode ser modelado sobre a tinta criando linhas e bolsas de tinta, ora concentradas ora vazias.

Outro recurso que utilizo com frequência é espargir álcool absoluto (+/-99%) alternando com água sobre a tinta úmida. Isso cria pequenas bolhas de variados formatos (álcool e água reagem de maneira diferente).

Nas duas técnicas me encanta o descontrole, o acaso…. Não podemos controlar todo o processo. Sobre o resultado, novas formas surgem e o trabalho ganha vida própria: obra e artista se diluem.

Mesmo nos trabalhos figurativos, que são a grande maioria, utilizo essas técnicas nas primeiras camadas.

ANV:  Que mensagens passa com sua arte?

JR: Penso que meu trabalho reflete meu anseio pelo conhecimento. Muito menos externo e muito mais interno. Para saber pra onde vou, devo conhecer de onde vim, minhas raízes,  e em que momento estou, e principalmente QUEM SOU. Não como artista, como pai, como filho, que são papéis, mas quem sou na essência, na origem ou seja, tirando todos esse papéis o que sobra?… A vida não tem sentido em si mesma, então que sentido quero dar a ela? Isso me motiva e através do meu trabalho procuro instigar as pessoas a pensarem sobre isso.

ANV: Recentemente vc foi convidado para integrar o grupo  de Arte Artenavida de Artistas. O que este convite significa para você?

JR: Sempre busquei espaço sozinho e isso era bastante estressante e desanimador. Minha arte é bastante conceitual e para um público que nem sempre era fácil de alcançar. Mesmo que um tanto tardiamente e com a ajuda das mídias sociais, decidi no final do ano passado que me jogaria no mundo (rs) e vinha o que viesse. E veio! Por sincronicidade conheci o Artenavida, através da Patrícia, seu blog e suas iniciativas extremamente motivadoras. Participar de um grupo de artistas, com o quilate dos que no Artenavida se irmanam é de uma importância sem tamanho. Abre infinitas possibilidades de aprendizado, de participação efetiva no mercado e, principalmente, amplia o leque de amizades com pessoas afins, importantíssimo para a alma do artista.

ANV: Que recado gostaria de deixar a todos nós?

JR: Gostaria neste espaço de falar sobre a importância que tem o artista (seja em qual arte for) para o mundo. Um mensageiro! Acredito no poder da arte como linguagem, forma de comunicação. Penso que a pintura tem a missão de comunicar, criticar, mostrar até mesmo o que as pessoas não querem ver. Apesar de respeitar e admirar os retratistas, os pintores de naturezas-mortas  e os paisagistas, penso como Carl Andre: quero pintar o que não está lá, pelo menos visivelmente.  Goethe afirmava que a arte tinha como missão transmitir, através da aparência, a ilusão de uma realidade superior. Na obra artística, espírito e natureza, idealidade e realidade se fundem.  Nem sempre pela forma, às vezes apenas pela cor, pela energia. Não importa! Nada é impossível na Arte…

ANV: Realmente Jair, não foi por acaso que nos demos tão bem e que hoje você faz parte do Grupo Artenavida. Realmente, nada é impossível na Arte! E falando nisto, quais são os seus próximos trabalhos em vista, além do grupo Artenavida?

JR: Para este ano planejamos principalmente um evento com exposição de pinturas, fotos, música, poesia e dança, voltados para a cultura negra, na qual participarei com minha série dos “Orixás”. Tenho em mente a criação de novas séries, mas a ideia ainda não está madura. Além disto, continuo dando aulas de pintura e desenho na Casa do Restaurador, em domicilio para alunos individuais ou grupos e aberto para cursos e workshops onde me chamarem.

Abaixo, seguem os Contatos de Jair Rhuys para Aulas, workshops e exposições.

Boas Artes!

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“O Protagonismo do Curador Está Chegando ao Fim” – Palavras de Gabriel Perez-Barreiro

(Foto de Patrícia Amato)

“O protagonismo do curador está chegando ao fim”. Pérez Barreiro diz isso evocando as primeiras bienais, que foram organizadas por intelectuais e artistas, não por curadores, quase sempre dispostos a eclipsar quem cria obras de arte.Chegamos a um ponto de saturação em termos de curadoria. ” Da reportagem do Novo Curador da Bienal 2018, Gabriel Perez-Barreiro para o Estado de São Paulo em 07 de Abril, do qual me torno cada vez mais fã!

Escolhi as palavras de Gabriel Perez-Barreiro em sua entrevista para O Estado de São Paulo de 07 de Abril, para iniciar meu texto de hoje.

Sim Artistas amigos, é verdade. Chegamos mesmo a um ponto de saturação em termos de curadoria. Tenho muitos artigos que endossam este ponto de vista de Gabriel aqui no artenavida. É hora de nós, Artistas, desmitificarmos a figura do Curador.

No Grupo de Arte Artenavida, nós somos em três coordenadores e montaremos nossa primeira exposição.  Não significa que não precisemos estudar o espaço e desconhecer História da Arte, ao contrário. No nosso grupo, há 21 Artistas de primeira linha, com muita Experiência e Formação. Muitos deles já expuseram em vários países do mundo , alguns com experiência em Curadoria. Vamos usar o expertise deles. E surgiram idéias fantásticas, desde locais de exposição até formas de interpretar o que queremos.

O que quero dizer com isso é que 21 cabeças pensam melhor do que uma. E sinceramente, um Grupo  de Arte bem ouvido e escutado (há diferença sim), tende a ser bem montado. Aí a figura de um Curador de fora de Grupo, tende a ser desnecessária.

Sempre haverá a opção de uma Curadoria externa para um grupo de artistas. Ou para uma individual.   Lembre-se sempre que uma exposição ou projeto não deve ter o Curador como o ser principal. Nunca.

  • Em primeiro lugar vem o público, a quem estamos a serviço com nossa Arte. Ele deve ser o centro de tudo. Do contrário, deixamos de ser Artistas.
  • Em segundo lugar, vem o Artista. Aquele que se dedica através de sua Arte para passar uma mensagem honesta.
  • Em terceiro lugar vem o Curador. Aquele que deve ser contratado e remunerado para cuidar da exposição de acordo com as Obras e o espaço – uma equação que precisa ser muito bem resolvida. Aquele que também precisa pensar no Artista e o bem como conhecer seu portfólio. Aquele que deve pensar no público e em como humanamente é possível compreender e percorrer os espaços da exposição, bem como adquirir as Obras de Arte. E também é aquele que procura bons e ideais locais para a Mostra de Arte, além de público alvo e colecionadores.

E no dia do Vernissage, todos brilham. Todos. Por favor, nada de discursos de abertura chatérrimos. Ninguém aguenta mais e tornaram-se obsoletos. Pensem no público, por favor. Se houver uma abertura, que seja breve, 05 minutos e não se fala mais nisso. Ou um folheto. É mais democrático e instrutivo.

Sobre Grupos de Artistas. São uma tendência e há uma mágica sobre eles. Reúnem-se pessoal ou virtualmente com o objetivo de criar em prol de causas, não necessariamente de temas. São pessoas talentosas que acreditam poder passar uma mensagem uníssona e divulgar o seu trabalho. É muito poderoso. Pense em montar o seu e escolha artistas talentosos, uma boa causa e pensem juntos em COMO expressar a arte do grupo.

Com tantas iniciativas, dá para entender porque pessoas como Gabriel Perez-Barreiro conseguem ascender e trazer novos modelos “fora da caixa” envelhecida de padrões. Viva a chacoalhada merecida na Arte Contemporânea, que de Contemporânea não tem mais tanto assim.

 

Pela Arte Eterna, seja qual for o o seu novo nome. Tim-tim. Boas Artes!

 

 

As Diversas Fases de Um Artista

 

Foto e Obra de Patrícia Amato: Um estranho no Ninho

Hoje, tomei coragem de compartilhar uma verdade minha. Estou numa fase de indefinição artística. Não sei se já aconteceu com vocês. Comigo aconteceu antes, quando eu pintei por anos telas a óleo que mostravam jardins super coloridos e de repente percebi que não era mais isso. Foram 11 anos de paixão com o impressionismo-expressionismo para começar uma sessão de tortura que já dura 07 anos.

De lá para cá, passei por fases que foram para o mais abstrato dos mundos, pulando para aquarelas, temas surrealistas e agora estou começando a me encontrar (será?) em abstracionismos conceituais. Foi quando eu percebi que tinha uma mensagem para passar com minha arte. Mesmo assim, olho para minhas telas e nunca fico satisfeita.  Me pergunto: será que é isso?! E não sei responder.

Até que encontrei um material sobre Sanson Flexor e me identifiquei muito. Veja isto:

“Em 1948, quando tinha 41 anos, o pintor romeno Samson Flexor tomou uma decisão um tanto estranha. Ele abandonou seu ateliê parisiense no bairro do Quartier Latin, disse adeus aos amigos mais experientes que o aconselhavam com a palheta – Henri Matisse, Fernand Léger e André Lhote – e, acompanhado da mulher e de dois filhos, se mudou com armas e bagagens para São Paulo.

Inicialmente sua pintura causava espanto aos olhos dos espectadores ainda atordoados diante da arte de vanguarda. Como quase todos os bons artistas, no entanto, ele começou no figurativismo e combinou essas duas tendências durante a maior parte de sua carreira. Para os retratos, muitas vezes lançava mão do cubismo. Na última fase de sua obra, as formas começam a se diluir, a pintura se torna fluida e transparente, como as aquarelas, e as figuras voltam a ser sugeridas, como no teste de Rorschach aplicado pelos psicólogos.

. ….. De fato, ao desembarcar no Brasil, ele foi o introdutor no país do abstracionismo geométrico (“Todo artista deve passar pelo serviço militar da geometria para conquistar o direito a um trabalho mais livre”, costumava aconselhar).” Fonte: http://www.oexplorador.com.br

Depois de ler sobre Flexor, me tranquilizei. Por vários motivos. A escola de abstracionismo dele é a mesma que venho seguindo, com algumas atualizações dos nossos tempos, claro. Mas o principal motivo foi saber que um gênio como ele também se sacudiu, passou por muitas fases (pelo menos umas cinco), demorou a se achar (se é que se achou um dia), percorreu vários estudos e nunca parou.

Eu tenho sentido esta inquietação que às vezes tira meu sono. Confesso que não me acho, não me encontro e não fico feliz com isso. Não é uma boa sensação. Gostaria de me sentir mais feliz com meu trabalho e menos inquieta, mas a busca por algo melhor me obriga a não parar de trabalhar. Não consigo traduzir em palavras, mas o que posso dizer é que eu percorro caminhos desencontrados. Como num labirinto. E dá uma aflição danada não me achar. Requer coragem e perseverança. Aprendizado constante.

Quando eu lia ou ouvia algum Artista dizer isso, juro que eu achava tratar-se de auto promoção, delírio, mentira.  Até eu começar a vivenciar a mesma coisa. Não dá para explicar. Fiquei onze anos numa calmaria tão feliz. E morna. E agora, já são sete anos de altos e baixos de alguém que não se define. E não sei se isso é bom. E nem sei se confessar isso é bom também. Que vida a nossa!

Mas, eu sou do tipo que fala o que pensa. E este blog está aqui a serviço dos Artistas e da Arte. E se eu não tivesse a coragem de compartilhar esta angústia ( e acredite, não foi nada fácil), como eu poderia continuar falando as verdades que falo aqui?!

Isso sem contar que toda vez que mudo o estilo de pintura vem a chuva de dúvidas e críticas que causo nos amigos, colegas, família. Claro, isso é esperado. Eles não entendem. Se eu não me entendo, como eles podem me entender?! rsrsrsrsrs. Mas não desanimo, pois a minha busca é mais importante do que qualquer crítica ou dúvida. E a sua, deve ser também.

É isso , amigos. Eu continuarei minha busca, até que um dia me satisfaça. E aprendendo muito neste caminho, isto com certeza! Espero que tenha ajudado quem também tenha dúvidas sobre seu caminho Artístico. Somos todos humanos. Em plena evolução, buscando o melhor de nós mesmos.

Boas Artes!

 

09 Mulheres Incríveis que Fizeram História e Facilitaram Nossas Vidas!

Neste Dia Internacional da Mulher, nada mais justo do que falar daquelas que abriram caminhos e acreditaram que viver valia mais a pena do que o medo que poderiam ter. Elas eram desbravadoras e ao desafiar o que era “padrão” em suas épocas, fizeram nossas vidas melhores.

São Artistas de vários ramos, todas elas. Mas mulheres, em primeiro lugar. Com seus melindres, caprichos, cabelos e batons, tinham acima de tudo uma coragem visceral de fazer inveja a qualquer Hércules ou Sansão. Confira a lista que separei para nós.

1. Quero começar por Pagu. Essa maravilhosa transgressora, foi escritora, poeta, cartunista, diretora de teatro, mas acima de tudo uma mulher muito corajosa. Falava tudo o que pensava. Foi a primeira mulher a ser presa por razões políticas.

Pagu
Pagu

2. Outra mulher que balançou e muito (em todos os sentidos) os padrões do que era considerado “de bom tom” no seu tempo, foi Chiquinha Gonzaga. Pianista do Choro e da Polca, consideradas músicas ofensivas em sua época de 1870, foi também a primeira mulher a reger uma orquestra. Ela teve a sensibilidade de entender o que alegrava o povo, por isso fez do choro e da polca a sua marca.

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Chiquinha Gonzaga

3. E o que dizer de Tarsila do Amaral? Em plenos 1922, auge do modernismo mundial, aqui no Brasil acabava de acontecer a semana de 22 em São Paulo. Tarsila chegava de Paris onde teve aulas com Picasso e Fernand Leger. Usava o cor de rosa como ninguém ainda ousara e pintava as paisagens do interior do Brasil. Além de interpretar suas lembranças e movimentos de Oswald de Andrade com a série Antropofagia.

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Tarsila do Amaral

4. No teatro, a grande estrela Cacilda Becker já era profissional em 1948. Numa época em que uma mulher que “encarasse” a vida de atriz era considerada qualquer coisa menos uma pessoa digna. Cacilda era de Santos e enfrentou o preconceito. Encenou 68 peças e teve um derrame em plena encenação, vindo a falecer 30 dias depois.

Cacilda Becker
Cacilda Becker

5. Nas letras, uma escritora das comunidades, das favelas, Maria Carolina de Jesus. Ela construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Sua mãe obrigou-a a frequentar a escola desde cedo. E ela escrevia um diário de como era morar numa favela. Virou uma Obra Literária “Diário de Uma Favelada”das mais importantes do Brasil, em 1960.

Maria Carolina de Jesus - Diario de Uma favelada
Maria Carolina de Jesus

6. Ainda na Literatura, não podemos de deixar de falar de Clarice. A Lispector. Que nos deixa felizes, até hoje. Quanta sabedoria em seus dizeres.

Clarice Lispector
Clarice Lispector

7.  Tivemos uma atriz maravilhosamente bem resolvida! Lindíssima, claro! Mais do que isto, o importante era que ela não ligava para o que falavam dela. Foi a primeira mulher a mostrar sua barriga lindíssima de grávida de biquíni, em fotos sensuais, em nus, e ela “causava” com sua brejeirice! Quem não amava Leila Diniz?!  Registremos que em 1970 era um escândalo mostrar a barriga de grávida, oh céus! Obrigada Leila!

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Leila Diniz

8. E na música, quem não dançou o tico-tico no fubá, não sabe nem o que que a baiana tem. Ta-hi Carmem Miranda, você fez tudo para gostarmos de você e deu mais do que certo. Colocou umas bananas na cabeça, foi para o Tio Sam, disseram que você voltou americanizada, mas mesmo assim todo mundo continuou e continua te amando até hoje. Obrigada por abrir alas para todas nós lá fora!

Carmem Miranda
Carmem Miranda

9. Minha lista não seria minha se não tivesse Rita Lee, a nossa musa do rock. Essa mulher maravilhosa é mais do que uma mutante. É uma rainha. Temos uma mulher Rock Star Brasileira! Uau! Ela “Arrombou A Festa” nos anos 70, “Lançou Perfume” nos 80, quase morreu nos 90, ressurgiu com “Saúde” nos 2000 e só parou para se aposentar porque quis. E mesmo assim, acabou de lançar sua biografia que é o maior sucesso de vendas. Salve Rita Lee, a “tua mais completa tradução”.

Rita Lee
Rita Lee

Embora sejam 09 mulheres, a de número 10 é você que assim como eu, tem uma vida de luta. Parabéns e siga em frente! Se você é um homem, transfira por favor, para as mulheres de sua família.

Há quem diga que este dia da mulher não deveria existir, que é até coisa da esquerda ou de machistas.Seja lá o que for, encaremos como uma reflexão positiva destas que abriram caminho para nós. E mais: que consigamos mesmo direitos iguais de salários, dignidade nos trens e metrôs sem abusos físicos e psicológicos.

Que tenhamos muitas conquistas para realmente não precisarmos mais do Dia Internacional da Mulher!

Boas Artes!

Felicidade,Inspiração e Criatividade – O Que Fazer Quando Elas nos Faltam?!

(Foto de Patrícia Amato)

Todos os Artistas experimentam momentos em que a inspiração desaparece. Simplesmente, ela não vem. Pode ser pelo seu estado de ânimo, pela influência do tempo ( eu em dias mais frios, sinto menos vontade de pintar e em dias de muita chuva, também), por um momento difícil que esteja passando ou às vezes nem sabe porque. O fato é que acontece com todos nós.

Quando não vivemos de Arte, menos mal. Mas, quando a Arte é nossa profissão e quando temos compromissos, fica complicado.

Eu tive outra profissão paralela à de Artista por quase trinta anos e posso dizer que a falta de inspiração é algo que acontece em todas as profissões. A única diferença é que com as profissionais autônomos,  a situação é mais densa. Se você não trabalha, não vende, não recebe. Mas sim, todas as pessoas no mundo tem dias em que não tem vontade alguma de trabalhar. E mais, tem vontade de apertar a tecla “exploda-se” (para ser educada) quando esforçam-se muito e nada dá certo.  Acontece com o Presidente de uma empresa que tem o maior salário do mundo e com o funcionário de outra que tem o menor salário do mundo. Acontece também com o Artista mais badalado do planeta e com aquele que jamais conseguiu vender uma Obra.

Mas, então o que fazer?! Eu não tenho uma resposta. Mas vou tentar ajudar.

  • Sobre sentir-se feliz.O que eu fiz quando estava muito infeliz na minha antiga profissão, foi despedir-me dela, literalmente. E com muita coragem, abrir mão de uma situação confortável totalmente diferente da que vivo hoje. Porém, não vivia com um décimo da felicidade e da tranquilidade que tenho agora. Então, buscar a paz interior, parece-me ser o primeiro passo, com planejamento. Se você está feliz com sua profissão, ótimo. Busque a paz, dentro de você. Espiritualmente.
  •  Sobre a inspiração. Acredito que para  o Artista especificamente, entrar no atelier ajuda a encontrá-la. Ficar por lá. mexer nos materiais, começar a esboçar idéias e brincar com sua criatividade ajuda a achar a danada da inspiração que brincava de esconde-esconde com você. Para as demais profissões. Eu costumava desenhar também, na minha mesa. E escrever a mão algumas idéias sobre o trabalho chatíssimo que eu estava fugindo. Logo vinha algo super bacana.
  • Sobre criatividade. Qualquer profissional precisa de um mínimo de criatividade em seu dia a dia. Até os mais rotineiros, sem a criatividade de pelo menos bater papos diferentes com os colegas ou inventar formas  de levar seu dia a dia, não conseguiriam suportar sua rotina. Imagine então, os profissionais de inovação, de marketing, de vendas e nós Artistas. Para alguns, a criatividade é mais natural, claro. Mas, nos momentos em que ela estiver te faltando, minha dica é parar tudo. Saia do ambiente em que se encontra. Vá para outro lugar, pelo menos por cinco ou dez minutos. Se possível, tome contato com algo muito fora da sua rotina. Se está no atelier, vá para a cozinha. Ou veja um animalzinho, uma flor, por exemplo. Se está no trabalho, vá dar uma volta no ambiente mais externo que conseguir e veja as plantas. Faça o esforço de observar atentamente o ambiente externo que escolheu. Volte. Descreva o que observou. Só isso. Volte a trabalhar. Verá como a criatividade aflorará com tudo. É infalível!

O mais importante destas três coisas, é resolver a primeira. O mais rápido possível. Sem paz interior, é muito difícil ser feliz, né?! E não precisamos de muito, sabe?! Precisamos do essencial. O difícil é tomar a decisão de conviver com o essencial e abrir mão do que não nos faz bem. Seja material, pessoal ou profissional.

“O Essencial é Invisível aos Olhos” (Antoine de Saint-Exupéry). Mas encontrá-lo, é vital para ser feliz.

Boas Artes!

Um Jardim Para Chamar de Seu – No Apartamento ou Na sua Casa

Eu sempre quis ter um jardim de verdade…fiz até um curso de paisagismo de 02 anos para que eu mesma pudesse concebê-lo. E quando fiz minha lista do que não poderia faltar nele, este curso pouco importou. Hoje vejo que tudo o que quis colocar no meu jardim eu consegui, e que curso nenhum poderia trazer, mas sim a sabedoria das avós e dos antigos jardineiros. E do grande Mestre Jesus. Segue minha lista para ter um grande Jardim feliz:

1 . Borboletas.
2. Beija Flores.
3. Cachorros.
4. Grama.
5. Trepadeiras Perfumadas.(Jasmim Estrela e Madressilva)
6, Jasmins Gardênias (florescem só em novembro)
7. Primaveras de várias cores e uma cor de laranja na entrada.
8. Rosas.
9. Dálias


10. Lantanas (para atrair as borboletas)
11. Russélias bordando as encostas (para atrair os beija flores)
12. Gerânios em vasos
13. Beijinhos derivados de Maria sem vergonhas coloridas em canteiros
14. Um arco com Jasmim dos Poetas (para um toque celta e misterioso)
15.Lavandas
16. Um canto de ervas: salsinha, cebolinha, manjericão, alecrim,hortelã, sálvia e capuchinha.


17. Deixe as árvores do terreno que puder. O meu já tinha 2 Ipês amarelos!!!
18. Plante orquídeas aos poucos nos troncos das árvores. Pegue mudas dos amigos. Em breve elas darão um show para você!
19. Plante sementes de frutas: maracujá, limão, pitanga, tomate, goiaba(esta pros passarinhos), manga, ameixa, tangerina, abacate, pimenta. E seja paciente. Em alguns anos, o jardim te retorna em abundância.
20. Algumas mudas de alface, escarola e couve trazem aprendizado e cuidado – e muitas delícias, além de saúde.
21. Flores – elas sempre perfumarão seu jardim e sua casa – além de trazer os pássaros. Estes de vez em quando te trarão novas plantas. Eu deixo eles me surpreenderem. Ele me deram 05 palmeiras e 01 palmeira real que estão adolescentes no meu jardim!

Por fim, se você só tiver poucos vasos, como eu tive muito tempo quando morava em apartamento, plante uns gerânios bem lindos. E num outro plante salsinha e tomilho para colocar na sua comida! Minha mãe tem um cantinho minúsculo de 30 cm por 1,00m e ela fez desta jardineira um jardim lindo, no nono andar. Beija Flores, Bem te vis e outros pássaros estão lá todos os dias. E não faltam seu alecrim, para as batatas assadas, sua lavanda, rosas, até um mini hibiscus e pasmem, uma lágrima de cristo e uma primavera!

Com jeitinho, bom gosto e Arte em nossas mãos, tudo dá!

Boas Artes!

A Vida e Obra de Frida Kahlo

Esta mulher fascinante, nasceu em 06 de julho de 1907, na Cidade do México. Uma guerreira. Aos 06 anos de idade, contraiu poliomelite.  A Polio lhe deixou uma sequela no pé direito e com isso ganhou o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Usava calças, depois longas e lindíssimas saias, que se tornaram uma de suas marcas pessoais.

As sobrancelhas, praticamente juntas era outra marca forte. A poliomelite foi apenas a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida. A vida de Frida foi dura em termos de saúde. Sofreu um acidente sério aos dezoite anos de idade. Ela estava num bonde que chocou-se com um trem. O pára-choque de um dos veículos perfurou as costas de Frida causando-lhe fratura pélvica e hemorragia. Ela ficou muitos meses entre a vida e a morte no hospital, teve que operar diversas partes e reconstruir por inteiro seu corpo, que estava todo perfurado. Imagine tudo isso com a medicina de 1925.

Devido a todas estas lesões e operações, Frida teve que usar coletes ortopédicos diversos e ela chegou a pintar alguns deles (como o colete de gesso da tela ” A Coluna Partida”‘).

E foi durante seu período de repouso que começou a pintar. Usou uma caixa de tintas de seu pai e um cavalete adaptado à cama. Assim como muitos Artistas, Frida encontrou na Arte uma terapia complementar para sua cura.

Em 1928 conheceu Diego Rivera, quando entrou no Partido Comunista. No ano seguinte, eles de casaram. Diego teve influência nas cores de Frida, como não poderia deixar de ser entre os seres que se amam. As cores dela passaram a ser mais simples e seu estilo mais naiff. Na sua Arte, Frida pintava seus sentimentos e acontecimentos de sua vida. E pintava também com certa frequencia a cultura de seu país, adotando temas da arte popular e folclore mexicanos.

O Casamento dom Diego Rivera foi bem tumultuado. Os dois tinham temperamentos fortes. Diego era conhecido por seus casos extraconjugais e Frida os teve também. No caso dela, era bissexual e Diego aceitava que ela se relacionasse com mulheres. Diego manteve um caso com a irmão mais nova de Frida e quando ela descobriu, o casamento dos dois terminou.

Em 1940, os dois ficaram juntos novamente. Frida teve uma triste história com vários abortos, divido ao acidente que teve e que perfurou seu útero. Tentou diversas vezes o suicídio com facas e martelos. Uma tristeza.

Ela morreu em 13 de julho de 1954, após uma forte pneumonia. Mas, não é descartada a possibilidade de uma overdose por medicamentos.  A última anotação em seu diário, que diz “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar – Frida”, permite a hipótese de suicídio.

 

Seu corpo foi cremado, e suas cinzas encontram-se depositadas em uma urna em sua antiga casa, hoje Museu Frida Kahlo.

Ainda não conheço a Casinha de Frida, mas irei um dia. Vi seu filme muitas vezes, mas não traz o requinte de detalhes que encontrei nos livros sobre ela. Uma guerreira, como eu disse no começo. Caetano Veloso canta a música Burn It Blue, do filme sobre Frida. Linda! Termino aqui, deixando o link para escutar essa linda canção!para ouvir, clique aqui

Boas Artes!

referências bibliográficas:

  1. A Biography of Frida Kahlo. Nova York: HarperCollins, 1983. ISBN 978-0060085896
  2. Ir para cima «Frida Kahlo». Smithsonian.com. Consultado em 18 de fevereiro de 2008
  3. Ir para cima Herrera, Hayden. A Biography of Frida Kahlo. Nova York: HarperCollins, 1983. p. 5. ISBN 978-0060085896
  4. Ir para cima Ronnen, Meir (20 de abril de 2006). «Frida Kahlo’s father wasn’t Jewish after all». The Jerusalem Post. Consultado em 2 de setembro de 2009

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Arte Ambiental

(Foto de Patrícia Amato – “Salve-me”)

Cada vez mais a Arte vem tendo um importante papel social e sendo usada de forma inteligente e educativa  em prol do Meio Ambiente. Artistas como Vik Muniz,  que trabalha lindamente recolhendo objetos dos lixões e Frans Krajcberg, que faz suas esculturas com árvores calcinadas por queimadas e desmatamentos, são exemplos reconhecidos no meio artístico-cultural.

A Arte sempre foi um importante meio do Artista exprimir suas crenças. E quanto mais fazemos isto em nossos trabalhos, mais forte a Obra se torna, pois torna-se humanizada e consequentemente toca o sentimento das pessoas.

Michel Jackson lançou “Earth Song” (Canção da Terra), uma das mais fortes Obras de Artes Musicais Ambientais. O Clip é sensacional e mostra o colapso ambiental que estamos prestes a viver, caso não mudemos nossos hábitos.(para ver o clip, clique aqui) .

Stevie Wonder lançou The Secret Life of Plants em 1979! Esta música diz que “para mim é inconcebível que o núcleo de tudo comece dentro de uma minúscula semente”, referindo-se às sementes das árvores. E nos chama a atenção:  ” Tiramos delas, sem consentimento, nosso abrigo, comida e vestimentas e em troca lhes damos machadadas, cortes, inundações e queimadas. Mas onde estaríamos sem elas?” (para escutar, clique aqui).

A música de Stevie Wonder não vendeu nada em 1979. Na verdade, foi um álbum inteiro. Um fracasso de vendas. O álbum todo é sobre o meio ambiente e rendeu um filme com o mesmo nome. Viva Steve, um Artista Visionário. Quem é cego, afinal?! Todos os que se recusaram a comprar o seu álbum e ouvir o seu apelo em 1979, quando ainda era tempo de evitar tantas desgraças. Os piores cegos, são os que não querem enxergar, certo Stevie?!

Queridos Artistas, espero que ouçam e principalmente enxerguem as mensagem de Michel e de Stevie em suas músicas Earth Song e The Secret Life of Plants. Independente do que aconteceu ou fizeram em suas vidas, são Artistas (no caso de Michel, foi) que contribuíram para que (re)pensemos desde já os nossos hábitos.

Salvemos nossa casa. Nosso bairro. Nosso Planeta.

Boas Artes!